O aumento recente nos preços dos combustíveis, impulsionado pela valorização do petróleo no mercado internacional em meio ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, já altera o comportamento do consumidor em Mato Grosso do Sul. O cenário, que até fevereiro indicava equilíbrio entre gasolina e etanol, agora favorece novamente o biocombustível.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis mostram que, entre 22 e 28 de fevereiro de 2026 — antes do agravamento do conflito — a gasolina comum era vendida, em média, a R$ 6,06 no estado, enquanto o etanol custava R$ 4,26. A relação de 70% indicava equilíbrio entre os combustíveis, tornando a gasolina competitiva naquele momento.
Esse cenário já vinha se desenhando desde o fim de 2025, quando o etanol chegou a R$ 3,93 frente à gasolina a R$ 5,77, mantendo o índice próximo do limite técnico de viabilidade.
Com a escalada do conflito no fim de fevereiro, o barril do petróleo tipo Brent crude oil registrou forte alta, pressionando diretamente os combustíveis fósseis. Gasolina e diesel subiram de forma mais acentuada, enquanto o etanol também teve aumento, porém em menor proporção.
Levantamento realizado em Campo Grande no dia 13 de abril aponta gasolina variando entre R$ 6,26 e R$ 6,49. Já o etanol apresenta preços entre R$ 4,15 e R$ 4,49. Com isso, a relação entre os combustíveis caiu para cerca de 0,66, tornando o etanol novamente mais vantajoso.
Impacto direto no consumidor
A mudança já é percebida no dia a dia.
O etanol passou a ser a escolha mais viável economicamente, apesar de ainda representar um peso significativo no orçamento familiar. O custo do combustível, essencial para mobilidade, segue como um dos principais desafios para quem depende do carro.
Tendência de estabilização
O recente anúncio de cessar-fogo no conflito internacional já começa a impactar o mercado. O barril do petróleo Brent voltou a operar abaixo dos US$ 100, reduzindo a pressão sobre os preços.
No Brasil, onde os combustíveis seguem a política de paridade internacional, essa queda pode desacelerar novos aumentos. No entanto, especialistas indicam que a redução não deve chegar de forma imediata às bombas, dependendo também do câmbio e da dinâmica de distribuição.
Apesar da instabilidade global, o cenário atual reforça uma característica histórica de Mato Grosso do Sul: a competitividade do etanol, produzido em larga escala no estado, como alternativa mais econômica ao consumidor.









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