A safra de azeitonas 2026 começou no Rio Grande do Sul com projeções otimistas para a olivicultura nacional. Técnicos do setor indicam que o país pode atingir, pela primeira vez, a marca de 1 milhão de litros de azeite extravirgem, estabelecendo um novo recorde histórico na produção brasileira.
Responsável por cerca de 75% da produção nacional, o estado gaúcho abriu oficialmente a colheita durante a 14ª edição do evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura, realizado em Triunfo (RS). Atualmente, são 325 produtores distribuídos em 6,2 mil hectares, presentes em 110 municípios, com forte concentração na Metade Sul.
Segundo o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, a qualidade do azeite brasileiro já é comparável à de países europeus reconhecidos internacionalmente. Ele atribui o bom desempenho desta safra à combinação de fatores climáticos favoráveis e avanços técnicos na produção.
O inverno com maior número de horas de frio em duas décadas, aliado a uma primavera seca e um verão equilibrado, criou condições ideais para o desenvolvimento das oliveiras e para a colheita. A expectativa é de que somente o Rio Grande do Sul produza cerca de 800 mil litros nesta safra.
Apesar do crescimento expressivo, a produção nacional ainda representa entre 1% e 1,5% do consumo interno. A competitividade dos azeites importados, com preços mais acessíveis, segue como desafio para o setor.
Outro destaque foi a assinatura do protocolo para criação de um Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura, em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). A iniciativa busca ampliar a produtividade e fortalecer a cadeia produtiva.
O governador Eduardo Leite ressaltou a importância da olivicultura para a diversificação econômica do estado. Em duas décadas, o número de municípios produtores saltou de apenas um para 110, consolidando o crescimento superior a 100% da atividade.
O setor já movimenta cerca de R$ 140 milhões e gera entre 2 mil e 3 mil empregos diretos e indiretos. A qualidade do azeite também foi impulsionada pela colheita precoce de frutos verdes, o que aumenta a concentração de compostos fenólicos e melhora o perfil sensorial do produto.









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