A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de apenas 22 anos, segue gerando forte repercussão nas redes sociais e no universo fitness brasileiro. Conhecido como “Bbzinho”, o jovem acumulava mais de 1 milhão de seguidores e era considerado uma das promessas em ascensão no fisiculturismo nacional. Agora, pela primeira vez desde o ocorrido, o influenciador Leo Stronda decidiu se pronunciar publicamente sobre o caso.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Stronda afirmou estar profundamente abalado e revelou arrependimentos envolvendo conteúdos produzidos ao lado do jovem. Segundo o atestado de óbito, Gabriel morreu de forma súbita em decorrência de uma cardiomiopatia hipertrófica, uma doença cardíaca que pode causar parada cardíaca repentina.
“Podia ter sido eu”, diz Stronda
Logo no início do pronunciamento, Leo Stronda explicou que esperou alguns dias antes de comentar o caso por respeito à família de Gabriel. O influenciador destacou o impacto da perda dentro da comunidade fitness e afirmou que muitos atletas se identificavam com a trajetória do jovem.
“O Ganley era uma estrela. Todo mundo do nosso segmento se identificava muito com ele. Nós sentimos tanto a perda porque ele representava o fisiculturismo, o esporte. Podia ter sido a gente. Podia ter sido eu”, afirmou.
Durante o vídeo, Stronda também relembrou o próprio passado no universo da musculação extrema e admitiu já ter utilizado substâncias para ganho muscular quando era mais novo.
“Com 22 anos eu também fiz minhas maluquices. Hoje eu sou um cara totalmente mudado. Sempre brinquei com isso porque faz parte da minha essência, mas também alertava que era algo sério”, declarou.
Vídeo antigo volta a repercutir
O pronunciamento acontece após internautas resgatarem um vídeo gravado em 2025, no qual Gabriel aparece ao lado de Stronda falando abertamente sobre o uso de esteroides anabolizantes. Na gravação, os dois simulam uma aplicação de substância injetável.
Agora, Leo afirmou que se arrepende da cena e reconheceu que a situação foi tratada de maneira inadequada.
“Foi cenográfico, a gente fingiu que estava aplicando. Eu não devia ter feito aquilo. Na hora, a gente não viu problema. Mas tinha”, disse.
O influenciador também comentou que muitas pessoas passaram a responsabilizá-lo pela influência exercida sobre o jovem. Segundo ele, existem críticas legítimas envolvendo a banalização do uso de substâncias no meio fitness.
“Talvez se eu não tivesse feito tantas brincadeiras com ele, ele não teria se empolgado tanto. Ou não. Nunca vamos saber”, lamentou.
Uso de insulina preocupava amigos
Outro ponto que chamou atenção no depoimento foi a revelação de que Gabriel teria comentado sobre o uso de insulina para aumento de massa muscular. A prática, apesar de conhecida em alguns grupos clandestinos do fisiculturismo, é considerada extremamente perigosa quando feita sem acompanhamento médico.
Stronda afirmou que tentou desencorajar o amigo.
“Peguei o rosto dele e falei: ‘Esquece isso, abandona. Nunca ninguém mandou você tomar isso. Não faz’”, contou.
Especialistas alertam que o uso inadequado de insulina pode provocar hipoglicemia severa, levando a sintomas como tremores, confusão mental, convulsões, perda de consciência, coma e até morte.
Investigação continua
Gabriel Ganley foi encontrado morto em seu apartamento, na Mooca, em São Paulo, após familiares ficarem preocupados sem conseguir contato com o jovem. Um amigo foi até o local e encontrou o fisiculturista sem vida.
Segundo o boletim de ocorrência, não havia sinais de violência no imóvel. Mesmo com a causa da morte apontada como cardiomiopatia hipertrófica, a Polícia Civil de São Paulo informou que o caso segue sendo investigado pelo 57º Distrito Policial.
Debate sobre anabolizantes cresce nas redes
A tragédia reacendeu discussões sobre a pressão estética, os limites do fisiculturismo moderno e a banalização do uso de anabolizantes nas redes sociais. Desde 2023, o Conselho Federal de Medicina proíbe a prescrição de anabolizantes para fins estéticos ou de performance física.
No fim do pronunciamento, Leo Stronda afirmou que pretende mudar sua postura sobre o tema.
“O problema não foi o fisiculturismo. Foi a banalização do uso. Eu errei muito como cristão, como pessoa e como amigo. Não quero mais brincar com isso”, concluiu.









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