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Vigilante de Campo Grande emociona ao abrir mão de auxílio: “Outros precisam mais”

por | jun 3, 2026 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Mais de 27 mil sul-mato-grossenses deixam programa social após melhora de vida; vigilante de Campo Grande simboliza mudança

A história de superação de Marcos Gabriel de Arruda Calonga, de 34 anos, representa um movimento que vem chamando atenção em Mato Grosso do Sul: milhares de famílias estão conseguindo melhorar de vida e deixando de depender de programas sociais do Estado.

Morador do bairro Parati, em Campo Grande, Marcos Gabriel decidiu devolver o cartão do programa Mais Social após conquistar estabilidade financeira junto da família. Hoje empregado como vigilante em uma entidade sindical rural, ele conta que a decisão foi tomada em conjunto com a esposa.

“Conversei com minha esposa e decidimos que continuar a receber seria injusto. Decidimos abrir mão para que outras pessoas possam entrar no programa. O Mais Social nos ajudou bastante, mas hoje eu vejo que tem pessoas que precisam mais do que nós”, afirmou.

Desde 2023, 27,6 mil sul-mato-grossenses deixaram o programa por não precisarem mais do benefício. O dado reforça um cenário de redução da vulnerabilidade social e aumento da empregabilidade no Estado.

A trajetória de Marcos reflete exatamente esse processo. Ele entrou no programa em 2018, depois de perder o emprego em uma lavanderia. Na época, a situação financeira ficou crítica para sustentar a esposa, quatro filhos e a sogra, todos vivendo na mesma residência.

Em busca de alternativas, fez curso de barbeiro e começou a atender em casa. Mesmo assim, a renda ainda era insuficiente. Com o apoio do Mais Social garantindo segurança alimentar para a família, ele conseguiu continuar procurando oportunidades de trabalho.

Antes da vaga atual, também atuou como zelador em uma igreja. Hoje, além do emprego fixo, os filhos mais velhos, de 17 e 18 anos, começaram a trabalhar, ajudando a complementar a renda da casa.

Os números mostram que a história da família não é um caso isolado. Mato Grosso do Sul aparece atualmente como o 5º estado brasileiro com menos dependentes de programas sociais.

Programas incentivam trabalho e educação

Além da transferência de renda, o Governo do Estado vem apostando em programas estruturantes voltados à qualificação profissional, educação e incentivo ao emprego.

Um dos exemplos é o Programa de Apoio à Mulher Trabalhadora e Chefe de Família, criado para mães solo beneficiárias do Mais Social. O auxílio oferece R$ 600 por criança de até 3 anos, 11 meses e 29 dias, permitindo que as mães deixem os filhos em locais seguros enquanto trabalham. Para receber o benefício adicional é necessário comprovar vínculo empregatício ou contribuição previdenciária.

Outra medida é o incentivo à educação. Beneficiárias que frequentam o ensino regular ou a EJA (Educação de Jovens e Adultos) recebem mais R$ 300 mensais.

Já estudantes de baixa renda podem contar com o MS Supera, programa que paga bolsa mensal de R$ 1.621 para universitários e alunos de cursos técnicos de nível médio em instituições públicas ou privadas.

Queda da extrema pobreza

Os reflexos dessas ações já aparecem nos indicadores sociais.

Segundo dados do IBGE, Mato Grosso do Sul registrou queda de 40,74% na extrema pobreza em apenas dois anos. O índice caiu de 2,7% para 1,6%, colocando o Estado com o 3º menor índice de extrema pobreza do Brasil.

Além disso, 34 mil famílias saíram da condição de insegurança alimentar no período.

Os dados do CadÚnico também apontam avanço. Entre março de 2024 e março de 2026, 44.604 pessoas deixaram a situação de pobreza em Mato Grosso do Sul.

Emprego em alta impulsiona transformação

A melhora econômica do Estado também tem papel decisivo nesse cenário. Mato Grosso do Sul fechou o último trimestre de 2025 com taxa de desocupação de apenas 2,4%, o menor índice da série histórica estadual e a segunda menor taxa de desemprego do país.

A estratégia da Sead (Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos), em parceria com outras secretarias estaduais, é justamente utilizar os programas sociais como ponte para a autonomia financeira.

A combinação entre auxílio temporário, qualificação profissional, incentivo aos estudos e crescimento econômico tem mudado a realidade de milhares de famílias sul-mato-grossenses.

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