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De “medo da tecnologia” à produção automatizada: hidroponia transforma famílias rurais em Naviraí

por | jun 9, 2026 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

A hidroponia, que durante muitos anos parecia uma realidade distante para pequenos produtores rurais de Naviraí, começou a mudar a rotina de famílias agricultoras do município graças a um projeto de extensão tecnológica apoiado pelo Governo de Mato Grosso do Sul. A iniciativa levou sistemas automatizados de cultivo, capacitação prática e acompanhamento técnico diretamente às propriedades rurais, permitindo que agricultores familiares passassem a produzir hortaliças com menos esforço físico, mais produtividade e geração de renda.

O projeto “Hidroponia para Todos” é coordenado pelo professor Daniel Zimmermann Mesquita, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (IFMS), com apoio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia). A ação integra o edital de Extensão Tecnológica da Fundect voltado para agricultores familiares, povos originários e comunidades tradicionais, em parceria com a Secretaria-Executiva de Agricultura Familiar, de Povos Originários e Comunidades Tradicionais (Seaf).

Segundo o pesquisador, um dos maiores desafios no início do projeto foi quebrar a resistência dos produtores em relação à tecnologia. Muitos agricultores acreditavam que a hidroponia exigia investimentos altos, conhecimento técnico avançado e manutenção complexa.

“Muitos tinham medo, conheciam o sistema de hidroponia, mas achavam que era muito caro, tinham medo de adotar a tecnologia e não saber mexer”, relatou o professor Daniel.

MENOS ENXADA E MAIS TECNOLOGIA

O sistema implantado utiliza a técnica NFT, sigla em inglês para “Nutrient Film Technique”. Nesse modelo, as plantas crescem em tubos por onde circula continuamente uma solução rica em água e nutrientes, eliminando a necessidade de cultivo direto no solo.

Na prática, o funcionamento é quase automatizado. Bombas e temporizadores fazem o controle da circulação da água, enquanto os agricultores monitoram indicadores simples, como níveis de pH e nutrientes.

Além da modernização, o sistema trouxe mudanças profundas na rotina de trabalho dos produtores.

“Na hidroponia, você praticamente não tem esforço físico nenhum. Não tem incidência de plantas daninhas, não precisa ficar com enxada arrancando mato. As bancadas ficam na altura das mãos das pessoas, então é um sistema muito ergonômico”, explicou Daniel.

Outro benefício apontado pelo pesquisador é a redução de doenças nas hortaliças, já que o cultivo sem contato direto com o solo diminui riscos de contaminação e melhora a qualidade dos alimentos produzidos.

PRODUÇÃO E RENDA PARA AS FAMÍLIAS

Ao todo, quatro propriedades familiares da região de Naviraí foram selecionadas para receber o projeto, sendo duas localizadas no Distrito Verde e duas no assentamento Juncal.

Cada família recebeu três bancadas hidropônicas completas, além de equipamentos, insumos e treinamento técnico para operar o sistema. As estruturas possuem capacidade para produzir até 600 plantas por ciclo produtivo.

A principal cultura cultivada pelos produtores é a alface, que já vem sendo comercializada em feiras, supermercados e programas de alimentação escolar.

“Eles estão produzindo bem, tiveram capacitação, aprenderam a manejar o sistema e estão vendendo. Alguns já comercializam em feiras, supermercados e programas de alimentação escolar”, destacou o coordenador.

O resultado mais significativo, porém, surgiu após o encerramento do projeto. Segundo o professor, os agricultores passaram a investir por conta própria para ampliar as estruturas hidropônicas.

“Eles pegaram gosto, aprenderam a tecnologia, viram que é muito mais simples e seguro produzir e agora estão reinvestindo para aumentar o sistema produtivo”, afirmou.

Atualmente, alguns produtores já dobraram a quantidade de bancadas recebidas inicialmente, expandindo a produção com recursos próprios.

“Cada um recebeu três bancadas, mas já tem agricultor que está com seis bancadas, outros com quatro. Isso mostra que realmente foi um trabalho muito satisfatório”, completou.

CIÊNCIA COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO

Para o professor Daniel, o apoio financeiro da Fundect foi decisivo para tornar o projeto viável, garantindo recursos para implantação dos sistemas, compra de equipamentos, materiais e realização das capacitações.

O diretor-presidente da Fundect, professor Cristiano Carvalho, destacou que o projeto representa exatamente o papel social que a ciência deve cumprir.

“O projeto Hidroponia para Todos mostra como a ciência e a tecnologia podem transformar a realidade de famílias produtororas. O mais importante não é apenas a instalação das estruturas com recursos da Fundect, mas a autonomia construída ao longo do projeto. Quando o agricultor perde o medo da tecnologia, aprende a utilizar o sistema e passa a investir por conta própria, nós vemos a inovação cumprindo seu papel social”, afirmou.

A reportagem integra a série especial “Fundect: MS ama Ciência”, que apresenta projetos financiados pela Fundação e mostra como o investimento público em pesquisa, inovação e extensão tecnológica vem impactando diretamente o desenvolvimento econômico e social de Mato Grosso do Sul.

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