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Antidepressivo é encontrado no cérebro de tubarões-martelo no Rio e acende alerta sobre poluição invisível nos oceanos

por | jun 19, 2026 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Uma descoberta inédita realizada por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está chamando a atenção da comunidade científica e levantando preocupações sobre os impactos da poluição por medicamentos no meio ambiente. O estudo identificou a presença de sertralina, princípio ativo amplamente utilizado em antidepressivos, no cérebro de tubarões-martelo capturados no litoral do Rio de Janeiro.

A pesquisa foi conduzida pelo Projeto EcoShark e analisou exemplares das espécies Sphyrna lewini e Sphyrna zygaena, consideradas ameaçadas de extinção. Os animais foram capturados acidentalmente por pescadores em regiões próximas à Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Copacabana.

A descoberta reforça uma preocupação crescente entre cientistas: a presença de contaminantes emergentes nos ecossistemas aquáticos. Esses contaminantes incluem medicamentos, hormônios, produtos de higiene pessoal e diversas substâncias químicas que chegam aos rios e oceanos por meio do esgoto doméstico.

Como o antidepressivo chega ao oceano?

Após o consumo humano, parte da sertralina é eliminada pelo organismo através da urina e segue para as redes de esgoto. O problema é que as estações convencionais de tratamento não conseguem remover completamente esses compostos químicos.

Com isso, resíduos farmacêuticos acabam sendo despejados em rios, baías e áreas costeiras, onde entram na cadeia alimentar marinha. Pequenos organismos absorvem essas substâncias, que passam para peixes menores e, posteriormente, para grandes predadores, como os tubarões.

Esse processo é conhecido como bioacumulação, fenômeno em que contaminantes vão se concentrando progressivamente nos organismos ao longo da cadeia alimentar.

Quais podem ser os impactos?

Os pesquisadores ainda investigam quais efeitos a exposição prolongada à sertralina pode causar nos tubarões-martelo. Até o momento, não há evidências de que os animais apresentem alterações comportamentais diretamente associadas à substância.

No entanto, estudos anteriores realizados com outras espécies de peixes demonstraram que antidepressivos presentes na água podem afetar padrões de comportamento, alimentação, aprendizado, reprodução e respostas a predadores.

Como a sertralina atua no sistema de serotonina — neurotransmissor presente em diversos vertebrados — existe a possibilidade de que a exposição contínua provoque mudanças fisiológicas e comportamentais também em animais marinhos.

Alerta para a saúde dos oceanos

Especialistas destacam que os tubarões ocupam o topo da cadeia alimentar e funcionam como importantes indicadores da saúde ambiental dos oceanos.

Por isso, encontrar um medicamento desenvolvido para atuar no cérebro humano acumulado no sistema nervoso de tubarões é considerado um sinal preocupante da influência das atividades humanas sobre os ecossistemas marinhos.

A descoberta reforça a necessidade de investimentos em saneamento básico, tecnologias mais avançadas de tratamento de esgoto e monitoramento constante da presença de resíduos farmacêuticos no ambiente.

Além de afetar espécies marinhas ameaçadas, a contaminação por medicamentos pode gerar impactos ainda desconhecidos sobre a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas oceânicos.


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