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Efeito Rosenhan: experimento que revelou falhas nos diagnósticos e revolucionou a psiquiatria em 1973

por | set 23, 2025 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

O psicólogo americano David Rosenhan apresentou em 1973 um experimento que expôs fragilidades na psiquiatria

Em 1973, o psicólogo americano David Rosenhan, professor da Universidade de Stanford, publicou na revista Science o artigo On Being Sane in Insane Places (Sobre ser são em lugares insanos). O estudo ficou conhecido como Efeito Rosenhan e marcou a história da psiquiatria ao revelar como diagnósticos podem influenciar a percepção de médicos e enfermeiros.

Entre 1969 e 1972, Rosenhan e outros sete voluntários — todos saudáveis — se apresentaram em hospitais psiquiátricos dos Estados Unidos relatando apenas ouvir uma voz com três palavras: “golpe”, “vazio” e “oco”. Apesar de agirem normalmente após a internação, quase todos foram diagnosticados com esquizofrenia e permaneceram hospitalizados por dias ou até semanas. O próprio Rosenhan ficou internado por 52 dias.

O estudo denunciava abusos, negligência e a dificuldade dos profissionais em distinguir sanidade de insanidade, enquanto alguns pacientes chegaram a perceber que havia algo errado. O trabalho ganhou repercussão mundial, influenciou o movimento antimanicomial e inspirou a terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-III). Até Hollywood se apropriou da discussão: em 1975, o filme Um Estranho no Ninho, estrelado por Jack Nicholson, conquistou o Oscar ao retratar o cotidiano de um hospital psiquiátrico.

Controvérsias e revelações posteriores

Décadas mais tarde, a jornalista americana Susannah Cahalan, autora de Brain on Fire, investigou o experimento. Em sua pesquisa, revelada em The Great Pretender, ela apontou inconsistências nos relatos de Rosenhan e até possíveis omissões. Um dos voluntários, Harry Lando, descreveu sua internação como positiva e transformadora, mas seu caso não foi incluído no artigo original por não se alinhar à tese crítica de Rosenhan.

Além disso, registros médicos mostraram que Rosenhan teria relatado mais sintomas do que os descritos em seu artigo, incluindo tendências suicidas, o que justificaria sua internação. Apesar das críticas, o impacto do estudo foi inegável. O Efeito Rosenhan se tornou um divisor de águas, lembrando que diagnósticos psiquiátricos são fundamentais, mas não podem substituir a escuta, a empatia e a valorização da individualidade de cada paciente.

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