Especialistas alertam sobre o aumento da oniomania — o vício em comprar — que vem crescendo silenciosamente na era do consumo digital.
Na era dos aplicativos e do “compre com um clique”, o ato de consumir deixou de ser apenas uma necessidade e passou a representar status, prazer e, muitas vezes, fuga emocional. No entanto, para milhões de pessoas, essa prática se transformou em algo perigoso: a oniomania, também conhecida como transtorno de compras compulsivas.
O que é a oniomania
A oniomania é um distúrbio comportamental caracterizado por impulsos incontroláveis de comprar, mesmo sem necessidade. O prazer momentâneo da aquisição dá lugar, logo depois, a sentimentos de culpa, arrependimento e ansiedade. Segundo estimativas internacionais, entre 2% e 8% da população apresenta esse padrão de comportamento.
Os gatilhos por trás do consumo compulsivo
De acordo com psicólogos, o problema está frequentemente ligado a questões emocionais como ansiedade, depressão, baixa autoestima e solidão.
As compras passam a funcionar como uma válvula de escape — uma tentativa de preencher o vazio interno. “É um ciclo perigoso: a pessoa compra para se sentir melhor, mas o alívio dura pouco e logo vem a culpa”, explica a psicóloga comportamental Ana Luiza Ribeiro.
Além dos fatores psicológicos, o ambiente digital é um dos grandes vilões: propagandas personalizadas, facilidade de crédito e compras instantâneas reforçam o comportamento compulsivo.
Sintomas de alerta
- Comprar sem necessidade real ou adquirir itens repetidos.
- Mentir ou esconder gastos da família.
- Endividar-se com frequência.
- Sentir ansiedade antes e culpa depois das compras.
- Usar o consumo para aliviar tristeza ou frustração.
Esses sinais indicam que o prazer da compra ultrapassou o controle racional — e pode exigir ajuda profissional.
Tratamento e conscientização
O tratamento inclui psicoterapia cognitivo-comportamental, que ajuda a identificar os gatilhos e desenvolver estratégias de autocontrole. Em alguns casos, medicações antidepressivas podem ser indicadas.
O apoio familiar também é essencial para quebrar o ciclo de consumo e culpa.
“É fundamental entender que a oniomania não é frescura, é um transtorno real que afeta a vida emocional e financeira do indivíduo”, reforça Ana Luiza.
Reflexão
Em uma sociedade que incentiva o “ter” em vez do “ser”, o consumo virou símbolo de identidade. Mas é preciso se perguntar: você está comprando o produto — ou a sensação de se sentir melhor?









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