Se Mato Grosso fosse um país, seria uma potência global do agronegócio
Em poucas décadas, o Mato Grosso deixou de ser visto como um território “inóspito” e virou um dos polos mais influentes do agronegócio mundial. Se fosse um país, ocuparia posições de destaque em praticamente todos os rankings agrícolas do planeta: 3º maior produtor de soja, 4º em milho e algodão, além de abrigar um dos maiores rebanhos bovinos do mundo.
Com 903 mil km², área comparável à da Venezuela, e 3,8 milhões de habitantes, população similar à do Uruguai, o estado tem indicadores que superam até nações independentes. O PIB de R$ 273 bilhões em 2023 é maior do que o de países sul-americanos como Paraguai e Bolívia — e colocaria o Mato Grosso entre as 100 maiores economias do mundo.
Transformação em 30 anos
Nos anos 1970, o Cerrado era considerado improdutivo. A expressão da época era clara: “nem dado, nem herdado”.
Mas com incentivos públicos, correção de solo e avanço da ciência tropical, o estado se tornou o epicentro da expansão agrícola brasileira.
Entre 2002 e 2022, o PIB saltou de R$ 19,2 bilhões para R$ 255 bilhões, crescendo 4,8% ao ano — mais que o dobro da média nacional (2,2%).
Um gigante agrícola
Na safra 2024/25, o Mato Grosso colheu 50,6 milhões de toneladas de soja — mais que toda a produção da Argentina — e 55 milhões de toneladas de milho. Sozinho, o estado responde por 30% da soja brasileira e 12% da produção mundial. Mais de 60% dessas exportações têm destino certo: a China.
A vocação econômica é clara: 71% do PIB vem da agricultura e 29% da pecuária.
Com 34 milhões de cabeças, são oito bois para cada habitante, consolidando o maior rebanho bovino do Brasil.
Cidades que viraram polos globais
Municípios como Sorriso, Sinop, Nova Mutum, Sapezal e Campo Novo do Parecis formam o chamado Cinturão do Agro. Sorriso, com apenas 124 mil habitantes, já movimentou R$ 11 bilhões em exportações entre janeiro e outubro de 2025.
Ao todo, seis das dez cidades mais ricas do agronegócio brasileiro estão no Mato Grosso.
Indústria em expansão
O estado conta hoje com 321 agroindústrias, incluindo:
- 137 algodoeiras
- 57 laticínios
- 89 frigoríficos
- 24 plantas de biodiesel e etanol
Também abriga gigantes como Amaggi, Alvorada e FS Bioenergia, que consolidam o estado como polo industrial do setor.
O gargalo que freia o avanço
O desafio segue sendo a logística.
Mais de 30 milhões de toneladas de grãos dependem de rodovias precárias. A Ferrogrão, que ligaria Sinop a Miritituba (PA), está travada desde 2021. Já a ferrovia da Rumo, em construção, promete melhorar o acesso ferroviário entre Rondonópolis e Lucas do Rio Verde.
Crescimento que não para
Enquanto o Brasil enfrenta envelhecimento populacional e redução de crescimento, o Mato Grosso segue na contramão.
É a única UF que não deve ter crescimento populacional negativo até 2070, segundo o IBGE. Entre 2017 e 2022, foi o 4º estado que mais atraiu migrantes no país.
O Cerrado, antes rejeitado, hoje é a base fértil de uma nova potência mundial.









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