Reunião pública em Campo Grande apresentou obras em andamento e medidas estruturais para reduzir atropelamentos de fauna no trecho entre Aquidauana e Corumbá
Uma reunião pública realizada em Campo Grande (MS) marcou o avanço do Plano de Mitigação de Atropelamento de Fauna na BR-262, no trecho entre Aquidauana e Corumbá, uma das áreas mais sensíveis do Pantanal. O encontro reuniu representantes de órgãos públicos, pesquisadores e entidades da sociedade civil para apresentar as medidas já adotadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) com o objetivo de reduzir os altos índices de atropelamento de animais silvestres na rodovia.
A audiência colocou em evidência o conjunto de ações em andamento e previstas para o corredor viário, historicamente associado a impactos severos sobre a fauna local. Entre as intervenções previstas estão o cercamento de aproximadamente 160 quilômetros da rodovia, a implantação de passagens subterrâneas de fauna, adaptações em bueiros, construção e adequação de pontes sobre rios e vazantes, além da instalação de estruturas de dossel voltadas a espécies arborícolas. O plano também contempla reforço na sinalização e controle de velocidade.
Parte dessas medidas já começou a ser executada. As ações incluem 18 trechos cercados, dez novas passagens de fauna, 22 bueiros adaptados, 44 pontes, 20 radares, oito estruturas do tipo jump-out, sete pontes artificiais de dossel e 58 acessos com gradil metálico.
O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) participou da audiência por meio de sua equipe técnica e integra o Observatório Rodovias Seguras para Todos, coletivo formado por organizações como ICAS, Instituto Libio, Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), SOS Pantanal e Onçafari. O grupo atua no monitoramento da rodovia e na articulação por medidas estruturais que reduzam os conflitos entre tráfego rodoviário e fauna silvestre.
Durante o encontro, foi ressaltado que o plano é resultado de anos de pesquisa, monitoramento e articulação técnica entre diferentes instituições, representando um marco para o Pantanal. Trata-se do primeiro Plano de Mitigação de Atropelamento de Fauna voltado especificamente à região, com potencial para se tornar referência para outras rodovias brasileiras inseridas em áreas ambientalmente sensíveis.
Também foi destacado que a experiência acumulada na BR-262 poderá subsidiar a aplicação de soluções semelhantes em outras rodovias do país, ampliando o impacto das ações para além do Pantanal.
O DNIT reafirmou o compromisso com a redução dos atropelamentos no trecho e com a transparência na condução das ações. O plano prevê, além da execução das obras, o acompanhamento sistemático dos resultados, com a divulgação de dados sobre a efetividade das intervenções na diminuição de acidentes envolvendo animais silvestres e motoristas.
Na véspera da reunião pública, uma visita técnica foi realizada no trecho da BR-262 para avaliar estruturas subterrâneas e aéreas já instaladas para a travessia segura da fauna. A criação desses corredores ecológicos é considerada essencial para reconectar áreas fragmentadas pelo asfalto e reduzir riscos ambientais e viários.
A urgência das medidas é reforçada pelos registros históricos da região. Entre 2016 e 2025, foram identificados ao menos 21 casos de atropelamento de onças-pintadas no trecho entre Miranda e Corumbá, consolidando a BR-262 como um dos principais pontos de mortalidade da espécie no país e evidenciando a necessidade de ações contínuas e estruturais para a proteção da biodiversidade pantaneira.









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