Um avanço científico promissor pode transformar o acompanhamento de pacientes com asma em todo o mundo. Pesquisadores desenvolveram um novo método capaz de prever crises da doença com vários anos de antecedência por meio de um simples exame de sangue.
O estudo, publicado nesta segunda-feira (19/1) na revista Nature Communications, foi conduzido por cientistas do Mass General Brigham, nos Estados Unidos, em parceria com o Instituto Karolinska, na Suécia. A pesquisa responde a um dos maiores desafios no tratamento da asma: a falta de marcadores confiáveis que indiquem quais pacientes estão mais propensos a desenvolver crises futuras.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram dados de mais de 2,5 mil pessoas diagnosticadas com asma, acompanhadas por décadas em três grandes grupos populacionais. A equipe utilizou a técnica da metabolômica, que avalia pequenas moléculas presentes no sangue e permite compreender como o metabolismo do organismo se comporta ao longo do tempo.
A análise revelou que o risco de crises está diretamente ligado ao equilíbrio entre dois grupos de substâncias produzidas pelo próprio corpo: os esfingolipídios e os esteroides. Os esfingolipídios participam da estrutura das células e de processos inflamatórios, enquanto os esteroides incluem hormônios essenciais para a regulação do sistema imunológico.
Segundo os cientistas, mais importante do que a quantidade isolada dessas moléculas é a proporção entre elas no sangue. Esse equilíbrio mostrou-se decisivo para indicar se a asma permanecerá controlada ou se há maior risco de agravamento no futuro.
A descoberta abre caminho para uma abordagem mais personalizada no tratamento da asma, permitindo intervenções precoces e estratégias preventivas antes mesmo do surgimento das crises. Especialistas avaliam que o método pode reduzir internações, melhorar a qualidade de vida dos pacientes e otimizar o uso de medicamentos.









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