Júlio Casares não é mais presidente do São Paulo Futebol Clube. O dirigente oficializou sua renúncia ao cargo máximo do executivo tricolor nesta quarta-feira, por meio de uma publicação nas redes sociais, após sofrer uma expressiva derrota no Conselho Deliberativo do clube.
Na última sexta-feira, em uma sessão marcada por protestos intensos de torcedores, o Conselho aprovou o impeachment de Casares por ampla maioria. Ao todo, 188 conselheiros votaram a favor da destituição, contra 45 votos contrários e dois em branco. Diante do resultado, o então presidente decidiu antecipar sua saída antes da assembleia geral dos sócios, que poderia confirmar o afastamento definitivo. Com a renúncia, a assembleia foi automaticamente cancelada.
Com a vacância do cargo, o vice-presidente Harry Massis Junior, de 80 anos, assume a presidência do São Paulo até o término do mandato, previsto para dezembro de 2026.
Carta de renúncia e críticas ao processo
Em uma longa carta divulgada publicamente, Júlio Casares afirmou que sua gestão foi conduzida com seriedade, responsabilidade e compromisso com a história do clube. O ex-presidente classificou o processo que levou ao impeachment como essencialmente político e marcado por “narrativas distorcidas”, “articulações de bastidores” e “tramas políticas ardilosas”.
Casares destacou que, segundo sua avaliação, o rito adotado pelo Conselho restringiu o direito à ampla defesa e à produção adequada de provas. Apesar disso, afirmou respeitar a decisão, embora discorde do mérito.
“Minha renúncia não representa confissão, reconhecimento de culpa ou validação das acusações que me foram dirigidas”, escreveu o ex-dirigente, reforçando que jamais praticou irregularidades durante sua gestão.
Impactos pessoais e preservação do clube
Outro ponto enfatizado na carta foi o impacto do processo em sua vida pessoal e familiar. Casares relatou ataques e ameaças que ultrapassaram os limites institucionais, justificando a renúncia como uma forma de preservar sua saúde, proteger sua família e evitar que o ambiente político continue afetando o desempenho esportivo do clube.
Segundo ele, o afastamento também permitirá que eventuais apurações ocorram de maneira técnica, ampla e isenta, sem qualquer alegação de interferência.
Balanço da gestão
Ao se despedir, Júlio Casares fez questão de ressaltar conquistas esportivas de sua administração, com destaque para o título da Copa do Brasil de 2023, considerado histórico e inédito para o São Paulo. Ele afirmou deixar um clube estruturado, com elenco competitivo e novamente presente em decisões relevantes.
“Reitero minha certeza de que o São Paulo Futebol Clube é maior do que qualquer cargo”, afirmou Casares, encerrando a carta com uma declaração de amor à instituição.









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