A chegada da adolescência traz uma série de transformações físicas e emocionais. Entre elas, uma das mais comuns — e também mais incômodas para muitos jovens — é o surgimento da acne. Cravos, espinhas e inflamações na pele costumam aparecer principalmente no rosto, peito e costas, tornando-se motivo de desconforto, insegurança e até impactos na autoestima.
Segundo especialistas, a acne está diretamente ligada às mudanças hormonais intensas que acontecem durante a puberdade. Nesse período, o organismo aumenta a produção de hormônios andrógenos, como a testosterona, que estimulam as glândulas sebáceas a produzirem mais óleo natural da pele.
O problema começa quando essa oleosidade excessiva se mistura com células mortas e bactérias, obstruindo os poros. O resultado é o aparecimento dos comedões, conhecidos como cravos, e das espinhas inflamatórias.
De acordo com o dermatologista Cristiano Kakihara, a acne pode surgir cada vez mais cedo.
“Geralmente a acne mostra-se evidente aos 12 anos de idade, mas há pessoas que, com 9 anos, já começam a manifestar lesões. Estima-se que 85% das pessoas no mundo, entre 12 e 24 anos, já tiveram acne, independentemente de serem de grau leve ou grave”, explica.
Ainda segundo o especialista, embora a intensidade costume diminuir após os 25 anos, isso não significa que adultos estejam livres do problema.
Muito além da estética
Apesar de ser considerada um fenômeno fisiológico comum, a acne não afeta apenas a aparência. Em casos mais severos, pode provocar dores, inflamações profundas e deixar cicatrizes permanentes.
Além das alterações hormonais, fatores como predisposição genética, estresse, alimentação desbalanceada e uso inadequado de cosméticos também podem piorar o quadro.
A dermatologista Viviane Scarpa alerta ainda para outros fatores que muitas vezes passam despercebidos.
“Algumas medicações e suplementos, como corticoides, complexo B12 e Whey Protein, também podem levar à piora de casos de acne. A própria poluição também pode levar à obstrução dos poros”, destaca.
Ela reforça que maquiagens devem sempre ser removidas completamente antes de dormir para evitar obstrução dos poros.
Os erros mais comuns no cuidado com a pele
Especialistas afirmam que uma rotina adequada de skincare faz toda a diferença no controle da acne. O primeiro passo é a limpeza correta da pele, lavando o rosto duas vezes ao dia com sabonetes específicos para peles oleosas ou acneicas.
Mas exagerar na limpeza pode trazer o efeito contrário.
Quando o rosto é lavado muitas vezes ao dia, a pele entende que está ressecada e passa a produzir ainda mais oleosidade, fenômeno conhecido como “efeito rebote”.
Outro hábito extremamente prejudicial é espremer espinhas. Além de aumentar a inflamação, isso favorece o surgimento de manchas e cicatrizes difíceis de tratar posteriormente.
Os dermatologistas recomendam o uso de produtos com ativos como ácido salicílico, niacinamida e peróxido de benzoíla, sempre com orientação médica.
Alimentação e saúde mental também influenciam
Além dos cuidados externos, a alimentação também pode influenciar diretamente no agravamento da acne.
Dietas ricas em açúcares simples, laticínios e alimentos ultraprocessados estão frequentemente associadas ao aumento das inflamações na pele. Em contrapartida, hidratação adequada, boa qualidade do sono e controle do estresse ajudam a melhorar o quadro.
O impacto emocional também preocupa especialistas. Segundo Kakihara, muitos adolescentes acabam desenvolvendo isolamento social e queda de autoestima por causa das lesões.
“A acne está associada comumente à diminuição de autoestima e pensamentos depressivos, já que muitos pacientes se sentem excluídos de grupos sociais”, ressalta.
Por isso, os médicos reforçam a importância do tratamento precoce. Quanto antes a acne for tratada, menores são as chances de cicatrizes permanentes e consequências emocionais mais profundas.









0 comentários