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Parceria com Índia pode movimentar até US$ 15 bilhões em cinco anos

por | fev 19, 2026 | NOTÍCIAS | 0 Comentários

A missão oficial do Brasil à Ásia vai além de agendas protocolares e anúncios pontuais. Para o coordenador da FGV Agro e ex-secretário do Ministério da Agricultura, Guilherme Bastos, a iniciativa representa um movimento estratégico para ampliar mercados agropecuários, fortalecer a posição brasileira na transição energética e consolidar o país como referência em segurança alimentar.

Em entrevista à CNN Brasil, Bastos afirma que há uma disputa em curso sobre o papel do Brasil no sistema alimentar e energético global. Segundo ele, o país precisa decidir se seguirá como fornecedor secundário de commodities ou se assumirá protagonismo na definição das regras do comércio sustentável do século XXI.

Índia: mercado “pequeno, mas de potencial gigante”

A presença brasileira na Índia é considerada estratégica. Atualmente, a parceria bilateral movimenta cerca de US$ 12 bilhões — valor visto como modesto diante do tamanho das economias. A meta do governo é elevar esse volume para US$ 20 bilhões.

No recorte agropecuário, as exportações somam aproximadamente US$ 4 bilhões, o equivalente a 2,5% do total vendido pelo Brasil ao exterior. Em comparação, toda a Ásia responde por cerca de US$ 90 bilhões em exportações brasileiras.

Mesmo assim, a Índia pode representar “o próximo salto” nas relações comerciais, impulsionada pelo crescimento populacional, urbanização e aumento da demanda por alimentos e energia. A expectativa é que, com acordos e alinhamentos regulatórios, o comércio bilateral cresça entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões nos próximos cinco anos, abrangendo óleos vegetais, proteínas animais, fertilizantes verdes, leguminosas e biocombustíveis.

Sustentabilidade e regras globais

A missão ocorre em meio a debates sobre padrões ambientais e comerciais. Um dos pontos centrais é a construção de sistemas de medição, reporte e verificação (MRV) adaptados à agricultura tropical.

Bastos defende a criação de “corredores verdes” entre países do Sul Global, especialmente Brasil e Índia, para impulsionar biocombustíveis e alimentos de menor intensidade de carbono. A agenda também dialoga com o avanço de barreiras ambientais internacionais, como mecanismos de ajuste de carbono.

Outro destaque é a infraestrutura digital indiana, que pode ampliar a rastreabilidade e transparência das cadeias produtivas, facilitando certificações ambientais e sociais cada vez mais exigidas pelo mercado global.

Para Bastos, a questão central não é se o Brasil crescerá na Ásia, mas como esse crescimento ocorrerá — e sob quais regras. O desafio é definir se o país será coadjuvante ou protagonista no comércio agrícola e energético global.

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