O som agudo da broca, o cheiro do consultório e a expectativa da anestesia ainda são gatilhos para milhões de brasileiros que evitam consultas odontológicas. O medo, conhecido como odontofobia, muitas vezes nasce de experiências negativas ou relatos de terceiros. No entanto, avanços na odontologia e mudanças na abordagem profissional têm contribuído para transformar essa realidade.
Hoje, o cuidado começa ainda na infância. Consultórios estão mais preparados para receber crianças com ambientes acolhedores e estratégias lúdicas. A cirurgiã-dentista Mariana Henriques Ferreira, da FICSAE, explica que técnicas como linguagem adaptada, demonstração prévia dos procedimentos e acolhimento emocional ajudam a criar experiências positivas desde cedo.
Outro diferencial é o fortalecimento do vínculo entre profissional e paciente. Segundo especialistas, até o envio de vídeos explicativos antes da primeira consulta tem sido adotado para reduzir a ansiedade infantil.
Entre adultos, a escuta ativa e a transparência no tratamento são fundamentais. Além disso, a evolução tecnológica trouxe procedimentos menos invasivos e mais confortáveis. Recursos como laserterapia de baixa potência, lasers que substituem a broca e a anestesia tradicional, além da microabrasão, permitem tratamentos mais precisos e menos dolorosos.
A odontologia digital também avança com materiais de alta resistência e impressão 3D, possibilitando próteses e implantes personalizados.
Acesso ainda limitado
Apesar das melhorias, o acesso à saúde bucal no Brasil ainda é desigual. Levantamento do Conselho Federal de Odontologia em parceria com a ABIMO, divulgado em 2025, mostra que 68% dos brasileiros foram ao dentista no último ano, mas apenas 23% utilizaram o SUS.
A desigualdade também aparece na escolaridade: 75% das pessoas com ensino superior consultaram um dentista, contra 54% entre aqueles com ensino básico.
Especialistas alertam que a prevenção é essencial. Consultas regulares reduzem a necessidade de procedimentos invasivos e devem ocorrer ao menos uma vez ao ano, podendo chegar a duas dependendo das condições de saúde.
Como lidar com o medo
Para quem ainda sente ansiedade, estratégias simples podem ajudar: técnicas de respiração, música, conversas leves e a presença de um acompanhante. Em casos mais intensos, apoio psicológico e sedação consciente podem ser indicados, sempre com avaliação profissional.
O cenário aponta para um futuro mais humanizado e tecnológico na odontologia, mas reforça a necessidade de ampliar o acesso para toda a população.









0 comentários