Com a volta às aulas e o aumento da obesidade infantil, especialistas alertam: estigma de peso eleva risco de depressão, ganho de peso e até problemas cardiometabólicos.
Com o retorno às aulas e o avanço das taxas de obesidade infantil, um problema ainda tratado como “brincadeira” precisa entrar definitivamente na pauta das escolas e das famílias: o bullying por peso.
Especialistas alertam que apelidos, exclusões, humilhações em sala ou em grupos de mensagens e comentários sobre o corpo não são inofensivos. São formas de violência que deixam marcas emocionais e físicas duradouras.
Estudos internacionais mostram que crianças e adolescentes com excesso de peso apresentam maior risco de isolamento social e são mais expostos a bullying verbal, relacional, físico e virtual. A consequência não se limita à autoestima. O consenso internacional sobre estigma da obesidade, publicado em 2020, associa a discriminação por peso a quadros de depressão, ansiedade, solidão e maior uso de substâncias na adolescência.
Além do impacto psicológico, há efeitos biológicos. A exposição contínua ao estigma ativa o eixo do estresse, elevando níveis de cortisol e marcadores inflamatórios, como a proteína C reativa. A longo prazo, isso pode aumentar o risco cardiometabólico e até a mortalidade.
Ao contrário do que ainda se ouve em muitos ambientes, “motivar pela vergonha” não funciona. A ciência indica que o estigma de peso está ligado a maior sedentarismo, pior relação com a comida e aumento de peso ao longo do tempo.
Especialistas defendem que escolas incluam explicitamente a discriminação por peso em suas políticas antibullying, capacitem equipes para reconhecer o problema e promovam ambientes inclusivos. Para as famílias, o caminho passa por acolher o relato da criança, evitar culpabilização e buscar apoio escolar e psicológico quando necessário.
Combater o bullying por peso não significa ignorar a saúde. Significa separar cuidado baseado em ciência de violência baseada em preconceito.









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