A mandioca ganhou protagonismo durante a Tecnofam 2026 e mostrou que uma cultura tradicional da agricultura familiar pode se transformar em fonte de inovação, renda e expansão de mercado em Mato Grosso do Sul. Com oficinas práticas e orientações técnicas, a Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) apresentou aos produtores caminhos para aumentar a produtividade no campo e agregar valor à produção.
O interesse crescente pela cultura também aparece nos números da comercialização. Somente entre janeiro e maio deste ano, mais de 626 mil quilos de mandioca passaram pelo Cecaf (Centro de Comercialização da Agricultura Familiar), instalado nas Ceasa/MS. O volume representa cerca de 20,6% de tudo o que foi comercializado ao longo de 2025, reforçando a força econômica da raiz dentro da agricultura familiar sul-mato-grossense.
A Tecnofam reuniu produtores interessados em melhorar o desempenho das lavouras e conhecer novas técnicas de cultivo. Um dos participantes foi Laerte Bouwman, produtor do Assentamento Vale Verde, em Jaraguari, que recebe assistência da Agraer e pretende iniciar uma nova fase na produção de mandioca.
Segundo ele, as oficinas trouxeram conhecimentos importantes sobre preparo do solo, herbicidas, inseticidas e manejo da cultura. “As palestras superaram minhas expectativas por causa das informações e dos conhecimentos que consegui adquirir, que certamente vão contribuir para esse novo ciclo de produção”, afirmou.
Além do aprendizado técnico, Laerte pretende implantar um modelo inspirado em sistemas utilizados na Tailândia. A proposta consiste no cultivo em canteiros com ramas posicionadas verticalmente, técnica que pode aumentar o aproveitamento da área e melhorar o desenvolvimento da planta. Para isso, o produtor já providenciou uma plantadeira específica que deve chegar à propriedade nas próximas semanas.
As orientações foram conduzidas pelo extensionista da Agraer em Itaporã, Douglas Pellin. Durante a oficina, os participantes receberam informações sobre preparo e correção do solo com calcário, adubação, escolha das manivas, profundidade e espaçamento do plantio, além de irrigação, controle de pragas, manejo de herbicidas e prevenção de doenças.
A atividade também apresentou dados econômicos da cultura, incluindo custos de produção por hectare e estimativas de rentabilidade. O objetivo foi ajudar os agricultores familiares a tomarem decisões mais estratégicas sobre investimentos e planejamento da propriedade.
Mas a cadeia produtiva da mandioca não termina na colheita. Outra oficina da Agraer mostrou como a agroindustrialização pode ampliar a renda das famílias rurais. A extensionista de Ponta Porã, Inês Ortega, explicou o processo de implantação de agroindústrias familiares e destacou o potencial da mandioca para a produção de alimentos processados.
“O produtor pode processar na própria propriedade os alimentos que produz em excesso, agregando valor e aumentando a renda. Quem cultiva mandioca pode transformar essa matéria-prima em produtos industrializados de forma artesanal e dentro das normas sanitárias”, explicou.
Durante a apresentação, os produtores conheceram todas as etapas necessárias para regularizar uma agroindústria familiar, incluindo cadastro junto à Agraer, elaboração de projeto técnico, adequação sanitária, rotulagem e licenciamento.
Além da regulamentação, Inês destacou a importância do estudo de mercado e das estratégias de comercialização para garantir sustentabilidade ao negócio. Segundo ela, a mandioca é uma das culturas mais versáteis da agricultura familiar.
“A mandioca é uma verdadeira rainha pela sua versatilidade. Além de ser consumida cozida ou frita, pode ser utilizada na produção de pães, bolos, pudins e diversos outros produtos que agregam valor e ampliam as oportunidades de comercialização”, destacou.
A Tecnofam é promovida pela Embrapa Agropecuária Oeste em parceria com diversas instituições e tem como objetivo difundir tecnologias acessíveis e sustentáveis para fortalecer a agricultura e a agroindústria familiar. O evento também incentiva a troca de experiências entre produtores, pesquisadores e entidades ligadas ao setor rural.
Ao aproximar conhecimento técnico, inovação e gestão, a Tecnofam 2026 reforçou que a mandioca segue sendo uma das culturas mais importantes para o desenvolvimento econômico da agricultura familiar em Mato Grosso do Sul.









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