O número de estudantes com deficiência matriculados no ensino superior brasileiro mais que dobrou na última década, segundo dados do Censo da Educação Superior, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC).
De acordo com o levantamento, o país passou de aproximadamente 33 mil universitários com deficiência em 2014 para cerca de 95 mil em 2024, um crescimento próximo de 200% no período.
O aumento reflete mudanças nas políticas de inclusão educacional e ampliação de mecanismos de acessibilidade nas instituições de ensino superior, como provas adaptadas, intérpretes de Libras e núcleos de apoio a estudantes com deficiência.
Participação ainda é pequena
Apesar do crescimento expressivo, estudantes com deficiência ainda representam menos de 1% do total de matrículas no ensino superior brasileiro.
Os dados mostram que, em dez anos, a proporção passou de 0,4% para cerca de 0,9% dos universitários.
Esse percentual ainda está distante da realidade demográfica do país. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 7,3% da população brasileira possui algum tipo de deficiência, o que evidencia a diferença entre a presença desse grupo na sociedade e no ensino superior.
Mais ingressantes e formados
O avanço também aparece no número de estudantes que entram e concluem a graduação.
Entre 2013 e 2023, o total de ingressantes com deficiência passou de cerca de 10 mil para mais de 39 mil estudantes.
Já o número de concluintes subiu de aproximadamente 3,7 mil para mais de 12,6 mil formados no mesmo período.
Especialistas apontam que esse crescimento está ligado à ampliação das políticas de inclusão, ao fortalecimento de programas de acessibilidade nas universidades e à maior presença de estudantes com deficiência no ensino básico ao longo dos últimos anos.
Desafios de permanência
Mesmo com o avanço, especialistas destacam que ainda existem desafios para garantir acesso, permanência e conclusão dos cursos.
Entre os principais obstáculos estão a falta de infraestrutura adaptada, materiais acessíveis, transporte adequado e apoio pedagógico especializado.
A expectativa é que políticas públicas voltadas à inclusão continuem ampliando a presença de estudantes com deficiência no ensino superior brasileiro nos próximos anos.









0 comentários