Um procedimento de alta complexidade realizado em Cacoal, interior de Rondônia, voltou a chamar atenção para os avanços no tratamento da Doença de Parkinson no Brasil. A cirurgia utilizou a técnica de DBS (Deep Brain Stimulation), conhecida em português como Estimulação Cerebral Profunda, considerada hoje um dos tratamentos cirúrgicos mais modernos para o controle dos sintomas motores da doença.
Segundo os médicos envolvidos, o paciente Osmar convivia há mais de 14 anos com os sintomas do Parkinson antes de passar pelo procedimento. O caso marcou a segunda cirurgia desse tipo realizada em Cacoal-RO e contou com a participação do neurocirurgião Dr. Atahualpa Strapasson, que saiu de Cuiabá para integrar a equipe médica responsável pela operação.
A técnica DBS funciona por meio da implantação de eletrodos em regiões específicas do cérebro responsáveis pelo controle dos movimentos. Esses eletrodos são conectados a um dispositivo semelhante a um marca-passo, implantado geralmente na região torácica, que envia estímulos elétricos capazes de reduzir sintomas como tremores, rigidez muscular, lentidão de movimentos e dificuldades motoras.
Especialistas explicam que o procedimento não representa a cura da Doença de Parkinson, mas pode proporcionar melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes, permitindo redução de medicamentos e recuperação parcial da autonomia em atividades simples do dia a dia.
A cirurgia costuma ser indicada para pacientes que já convivem há anos com a doença e que apresentam perda de resposta aos medicamentos tradicionais, especialmente à levodopa. Em muitos casos, os pacientes enfrentam limitações severas para caminhar, se alimentar, escrever ou realizar tarefas básicas sem ajuda.
O procedimento exige estrutura hospitalar especializada, exames de imagem avançados e uma equipe multidisciplinar composta por neurocirurgiões, neurologistas, anestesistas e neurofisiologistas. Durante algumas etapas da cirurgia, o paciente pode permanecer acordado para auxiliar os médicos na identificação precisa das áreas cerebrais estimuladas.
A realização de uma cirurgia desse porte fora dos grandes centros médicos também chama atenção para a descentralização de tratamentos neurológicos complexos no país. Historicamente, procedimentos de DBS costumam estar concentrados em hospitais universitários ou capitais brasileiras devido ao alto custo da tecnologia e à necessidade de profissionais altamente especializados.
De acordo com estudos e especialistas, a estimulação cerebral profunda já é considerada uma das intervenções mais eficazes para casos avançados de Parkinson, principalmente quando os sintomas motores passam a comprometer fortemente a qualidade de vida do paciente.









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