A escolha da Nike de estampar “BRASA” no novo agasalho oficial da seleção brasileira acendeu um incêndio — não nas arquibancadas, mas nas redes sociais. O lançamento, que deveria celebrar identidade cultural, rapidamente virou alvo de críticas, memes e questionamentos.
A reação foi imediata. “Quem fala isso?” virou praticamente o slogan não oficial da repercussão. Para muitos torcedores, a tentativa de soar autêntico escorregou para o artificial. O termo, apesar de existir no vocabulário informal, não representa — na percepção popular — a essência do futebol brasileiro.
A marca justificou: “Brasa” estaria presente nas peladas, nos vestiários e na cultura viva do esporte. A intenção era fugir do genérico. Mas o tiro, ao que tudo indica, saiu pela culatra.
Identidade terceirizada?
O problema vai além da estética. Quando uma gigante global tenta traduzir a alma de um país, o risco de errar o tom é alto — e foi exatamente o que aconteceu aqui. A sensação que ficou é de uma identidade “importada”, construída de fora para dentro.
O uniforme da seleção não é apenas roupa: é símbolo. É pertencimento. E qualquer tentativa de reinventar isso sem legitimidade cultural tende a gerar rejeição — proporcional ao tamanho do orgulho nacional envolvido.
Estratégia ou erro?
Há duas leituras possíveis:
- Erro cultural: pesquisa superficial e desconexão com o torcedor real
- Jogada de marketing: provocar para gerar engajamento massivo
Se foi estratégia, funcionou. O assunto dominou as redes em poucas horas. Mas engajamento não é sinônimo de aprovação — e isso pode custar caro na prateleira.
No fim, fica a pergunta: a Nike quis representar o Brasil… ou apenas viralizar em cima dele?









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