O aumento da expectativa de vida da população brasileira voltou ao centro do debate no Congresso Nacional. Um projeto de lei em tramitação no Senado Federal pretende ampliar a presença de médicos especialistas em geriatria na atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF).
De autoria do senador Izalci Lucas, o Projeto de Lei 1.865/2026 propõe alterações no Estatuto da Pessoa Idosa para incentivar a contratação, formação e permanência de médicos geriatras na rede pública de saúde.
A proposta surge em meio ao avanço do envelhecimento populacional no Brasil. Segundo o texto, o objetivo é fortalecer a capacidade da atenção primária em lidar com doenças crônicas, fragilidade, quedas, perda funcional e outras condições comuns entre idosos.
Pelo projeto, a União, em parceria com estados e municípios, poderá adotar medidas para ampliar o número de especialistas em geriatria atuando diretamente na rede básica de saúde. Entre os mecanismos previstos estão apoio técnico e financeiro, programas para preenchimento de vagas, incentivo à formação profissional e estímulo à atuação em equipes multiprofissionais.
O texto também prevê ações de telessaúde, permitindo que geriatras auxiliem profissionais de diferentes regiões do país, inclusive em municípios menores e mais afastados dos grandes centros.
Na justificativa do projeto, Izalci Lucas afirma que o envelhecimento da população brasileira exige uma mudança estrutural na forma como o SUS atende os idosos.
“O aumento da expectativa de vida vem acompanhado da maior prevalência de doenças crônicas, multimorbidade, necessidade de uso simultâneo de vários medicamentos e síndromes geriátricas, como fragilidade, quedas e declínio funcional, o que exige abordagens clínicas mais complexas, contínuas e integradas”, destaca o senador.
O parlamentar também ressalta que a atenção primária tem papel estratégico na coordenação do cuidado aos idosos, sendo considerada a porta de entrada do SUS e responsável pelo acompanhamento contínuo da população.
Atualmente, o Brasil enfrenta déficit de médicos especializados em geriatria, principalmente fora das capitais. O cenário preocupa especialistas diante do crescimento acelerado da população acima de 60 anos, que deve aumentar significativamente nas próximas décadas.
O projeto ainda aguarda distribuição para análise nas comissões do Senado Federal antes de seguir para votação.









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