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Estudo revela que 1 em cada 10 pacientes com câncer carrega mutação hereditária

por | maio 18, 2026 | NOTÍCIAS, SAÚDE, SLIDER | 0 Comentários

Um estudo realizado no Brasil acendeu um alerta importante sobre a relação entre genética e câncer. A pesquisa apontou que 1 a cada 10 pacientes diagnosticados com câncer de mama, próstata ou intestino possui mutações hereditárias associadas ao desenvolvimento da doença. O levantamento reforça a importância dos testes genéticos e do monitoramento familiar como ferramentas para prevenção e diagnóstico precoce.

A análise foi conduzida pelo Subprojeto de Oncologia do Mapa do Genoma Brasileiro (BGMO) e publicada no renomado periódico científico The Lancet Regional Health – Americas. Ao todo, foram avaliados 275 pacientes atendidos em hospitais públicos das cinco regiões do país. Entre eles, 140 tinham câncer de mama, 70 câncer de intestino e 65 câncer de próstata.

Os pesquisadores identificaram que parte significativa das famílias dos pacientes apresentava alterações genéticas associadas à predisposição ao câncer, mesmo em pessoas que nunca haviam desenvolvido sintomas da doença. Entre os familiares analisados, quase 40% possuíam a mesma alteração genética encontrada nos pacientes oncológicos.

O estudo também mostrou o perfil dos voluntários participantes: a maioria se declarou parda, seguida por pessoas brancas e pretas, com idade média de 58 anos. O resultado reforça a necessidade de ampliar estudos genéticos em populações brasileiras diversas, já que o país possui uma das maiores miscigenações do mundo.

Segundo Raphael Parmeggiani, vice-presidente LATAM de assuntos científicos em Oncologia da Centogene, a genética revolucionou a forma como especialistas entendem o câncer e desenvolvem estratégias de tratamento e prevenção.

“Hoje conseguimos olhar para o câncer de maneira muito mais individualizada. A genética permite identificar predisposições, antecipar riscos e pensar em abordagens mais eficazes tanto para prevenção quanto para tratamento”, afirmou.

O oncologista Breno Jeha, da Oncoclínicas, destacou que o teste genético ainda desperta medo em muitas pessoas, mas que ele pode salvar vidas justamente por permitir o acompanhamento antecipado de indivíduos com maior risco.

“É super comum que muitas pessoas tenham receio, tenham medo de fazer o teste genético, mas o objetivo principal é justamente identificar quem são as pessoas que podem se beneficiar dessas estratégias de prevenção e de um rastreamento mais personalizado”, explicou.

Especialistas afirmam que tumores identificados em estágio inicial possuem chances muito maiores de cura. Por isso, o rastreamento genético pode ser decisivo para famílias com histórico frequente de câncer.

Entre os exemplos citados pelos médicos está a mutação no gene BRCA, conhecida por aumentar significativamente o risco de câncer de mama e ovário. Em alguns casos, pacientes podem discutir com especialistas a realização de procedimentos preventivos, como a mastectomia bilateral redutora de risco.

Além disso, algumas alterações genéticas também permitem tratamentos mais modernos e específicos, conhecidos como terapias-alvo, desenvolvidas para agir diretamente nas mutações associadas ao tumor.

Os especialistas alertam, porém, que nem toda pessoa com predisposição hereditária apresenta histórico familiar evidente. Por isso, exames genéticos e acompanhamento médico especializado são considerados fundamentais para identificar riscos ocultos.

Raphael Parmeggiani também defendeu a ampliação gradual da oncogenética dentro das políticas públicas de saúde no Brasil, principalmente diante do crescimento global dos casos de câncer.

“Ainda existe pouca informação sobre câncer hereditário no Brasil. Muitas famílias convivem durante anos com casos recorrentes sem saber que existe um componente genético envolvido. Levar esse debate para a sociedade é fundamental para promover conscientização, prevenção e cuidado”, concluiu.


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