Data Atual

Data:

Ouça aqui a rádio DNA67

topo_posts

Influenciadora relata piadas cruéis de médicos durante cesárea: “Perguntaram se achariam minha coluna”

por | maio 18, 2026 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Mulher relata humilhações e piadas durante partos por causa do peso: “Mandaram minha foto pelada sem consentimento”

A pedagoga e criadora de conteúdo Rayane Soares, de 29 anos, transformou sua trajetória contra a obesidade mórbida em um espaço de conscientização nas redes sociais. Mas recentemente, o relato da influenciadora chamou atenção por um motivo ainda mais grave: as situações de gordofobia médica que afirma ter sofrido durante as duas gestações.

Os episódios, descritos por Rayane em entrevista à revista Marie Claire, envolvem constrangimentos, comentários ofensivos e até o compartilhamento de uma foto íntima sem autorização dentro do ambiente hospitalar. O caso reacendeu o debate sobre violência obstétrica e preconceito contra pessoas obesas no sistema de saúde — especialmente durante a gravidez, um período considerado de extrema vulnerabilidade física e emocional.

Rayane conta que enfrenta problemas com o peso desde a infância. Aos 12 anos, já pesava 125 quilos. Segundo ela, o ganho excessivo de peso esteve ligado a questões familiares, emocionais e episódios de compulsão alimentar.

“Comecei a engordar aos oito anos. Meu pai começou a usar drogas e eu comecei a comer compulsivamente”, relembrou.

Durante a pandemia, o quadro se agravou. Ela chegou aos 200 quilos e descreve um período de isolamento e descontrole alimentar.

“Estourei vários cartões de crédito no iFood. Os entregadores amarravam uma corda na embalagem para eu puxar pela janela porque eu não queria descer”, contou.

A mudança começou quando voltou a morar com a mãe e passou a receber apoio familiar e acompanhamento multidisciplinar, incluindo psicóloga, nutricionista e academia. O processo resultou na perda de 31 quilos — e em uma gravidez inesperada após dez anos tentando engravidar.

Gravidez de alto risco e humilhações no parto

Apesar da felicidade pela gestação, Rayane enfrentou sérias complicações. Ela desenvolveu pré-eclâmpsia, hipertensão e retenção extrema de líquidos.

Segundo o relato, o ambiente hospitalar se tornou traumático no momento do parto.

“Fui coagida a aceitar uma cesárea porque disseram que meu bebê iria para a UTI neonatal se eu não concordasse”, afirmou.

Mas o episódio mais chocante teria acontecido dentro do centro cirúrgico.

“A médica me colocou em uma maca que não suportava meu peso e mandou uma foto minha pelada para o anestesista sem eu entender o motivo”, revelou.

Rayane afirma que não processou os profissionais por não conseguir comprovar formalmente os abusos.

Após o nascimento do filho Isaac, ela ainda enfrentou dificuldades para amamentar e para carregar o bebê devido às limitações físicas provocadas pelo peso e pelas complicações da gravidez.

Segunda gravidez teve novas agressões

Menos de um ano depois, já tendo perdido 43 quilos e em processo para colocar DIU, Rayane descobriu a segunda gravidez. Novamente, o período foi marcado por complicações como hipertensão, diabetes gestacional e retenção severa de líquidos.

No dia do parto, ela relata ter chegado aos 193 quilos.

Segundo a influenciadora, as agressões verbais voltaram a acontecer no centro cirúrgico.

“A anestesista fazia piadas. Uma delas foi perguntar se conseguiria encontrar minha coluna para aplicar a anestesia”, contou.

Após o parto, Rayane ainda enfrentou inflamação na cicatriz da cesárea e risco de trombose.

Mesmo diante das dificuldades, ela segue compartilhando o processo de emagrecimento e maternidade nas redes sociais.

“Tem dias que eu tenho vontade de desistir, mas lembro que tenho duas vidas que dependem de mim”, disse.

Especialista alerta para consequências da gordofobia médica

A ginecologista e obstetra Larissa Cassiano, especialista em gestação de alto risco pela USP, explica que a obesidade realmente pode trazer complicações para a fertilidade e a gravidez, mas reforça que isso jamais justifica humilhações ou tratamento desrespeitoso.

Segundo a médica, pacientes obesas frequentemente enfrentam comentários ofensivos e culpabilização dentro dos serviços de saúde.

“A gestação é um momento de extrema vulnerabilidade. A gordofobia médica pode afastar a paciente dos cuidados e impactar diretamente a saúde da mãe e do bebê”, destacou.

Ela afirma que agressões como sugerir culpa pela condição do bebê ou fazer comentários sobre aparência e peso estão entre as formas mais recorrentes de violência relatadas por gestantes obesas.

O caso de Rayane provocou forte repercussão nas redes sociais e levantou novamente um alerta sobre a necessidade de humanização no atendimento médico, ética profissional e combate à violência obstétrica.

Em meio à dor física e emocional, o relato da influenciadora escancara uma realidade que muitas mulheres ainda vivem em silêncio dentro de hospitais e maternidades brasileiras.

final_texto_post

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

/*** Collapse the mobile menu - WPress Doctor ****/