O avanço da carga tributária e dos custos trabalhistas no Brasil voltou ao centro do debate econômico após o Grupo Dass, uma das maiores fabricantes de artigos esportivos da América Latina, iniciar oficialmente suas operações industriais no Paraguai.
Responsável pela produção de itens para gigantes globais como Nike, Adidas e Fila, o grupo anunciou um investimento de aproximadamente 40 milhões de dólares na criação da Dasstex, nova unidade de confecção instalada em parceria com o Grupo Texcin, no regime de maquila paraguaio.
A decisão expôs novamente a diferença de competitividade entre Brasil e Paraguai. Enquanto a indústria brasileira convive com uma carga tributária elevada, encargos trabalhistas complexos e alto custo operacional, o país vizinho oferece impostos reduzidos, legislação mais flexível e incentivos voltados à exportação.
Segundo informações do setor, os impostos e encargos no Brasil podem representar até 80% dos custos sobre a produção em determinados segmentos industriais. Já no Paraguai, esse percentual gira em torno de 12%, criando uma vantagem considerada decisiva para empresas que operam em larga escala.
Além dos tributos, o custo da mão de obra também pesa na balança. O mercado paraguaio possui encargos trabalhistas significativamente menores, permitindo que o custo para manter um funcionário formalizado seja cerca de 40% inferior ao brasileiro.
A nova operação da Dass já nasce com impacto relevante: mais de 600 empregos diretos foram criados no Paraguai apenas nesta primeira fase da Dasstex.
Produção voltada ao Brasil
Um dos pontos que mais chama atenção é que a produção instalada no Paraguai terá inicialmente o próprio mercado brasileiro como destino principal.
Na prática, isso significa que produtos consumidos no Brasil poderão ser fabricados fora do país justamente por conta das diferenças de competitividade industrial.
O caso do Grupo Dass reforça uma tendência observada nos últimos anos: a migração gradual de indústrias brasileiras para o Paraguai.
Dados divulgados por entidades empresariais apontam que mais de 230 empresas brasileiras já se instalaram no território paraguaio desde 2007, aproveitando o regime de maquila, energia mais barata, menor burocracia e benefícios fiscais.
Esse movimento tem provocado preocupação entre economistas e representantes da indústria nacional, que alertam para a perda de empregos, arrecadação e capacidade produtiva brasileira.
Regime de maquila virou atrativo internacional
O regime de maquila do Paraguai permite que empresas produzam bens voltados à exportação pagando tributação extremamente reduzida sobre o valor agregado da produção.
O modelo transformou o Paraguai em um dos principais polos industriais emergentes da América do Sul, especialmente para setores têxtil, calçadista, autopeças e eletroeletrônicos.
Nos bastidores do setor industrial, empresários afirmam que o ambiente brasileiro se tornou cada vez mais difícil para competir internacionalmente.
Além da carga tributária elevada, fatores como insegurança jurídica, burocracia, custos logísticos e complexidade trabalhista aparecem entre os principais motivos que impulsionam a saída de operações para países vizinhos.
Grupo Dass diz que expansão não significa fechamento imediato no Brasil
Apesar da repercussão, o Grupo Dass afirmou que a operação no Paraguai faz parte de uma estratégia regional de expansão e que não há anúncio oficial de encerramento imediato das unidades brasileiras.
Ainda assim, o mercado interpreta o movimento como mais um sinal do enfraquecimento da competitividade industrial do Brasil diante de países que adotam políticas mais agressivas de atração empresarial.
O caso reacende discussões sobre reforma tributária, ambiente de negócios e políticas de incentivo à indústria nacional.
Enquanto isso, o Paraguai segue consolidando sua posição como um dos destinos preferidos de empresas brasileiras que buscam reduzir custos e ampliar margens de competitividade.









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