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Gigante da indústria esportiva deixa Brasil mais caro e aposta no Paraguai após diferença brutal de impostos

por | maio 28, 2026 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

O avanço da carga tributária e dos custos trabalhistas no Brasil voltou ao centro do debate econômico após o Grupo Dass, uma das maiores fabricantes de artigos esportivos da América Latina, iniciar oficialmente suas operações industriais no Paraguai.

Responsável pela produção de itens para gigantes globais como Nike, Adidas e Fila, o grupo anunciou um investimento de aproximadamente 40 milhões de dólares na criação da Dasstex, nova unidade de confecção instalada em parceria com o Grupo Texcin, no regime de maquila paraguaio.

A decisão expôs novamente a diferença de competitividade entre Brasil e Paraguai. Enquanto a indústria brasileira convive com uma carga tributária elevada, encargos trabalhistas complexos e alto custo operacional, o país vizinho oferece impostos reduzidos, legislação mais flexível e incentivos voltados à exportação.

Segundo informações do setor, os impostos e encargos no Brasil podem representar até 80% dos custos sobre a produção em determinados segmentos industriais. Já no Paraguai, esse percentual gira em torno de 12%, criando uma vantagem considerada decisiva para empresas que operam em larga escala.

Além dos tributos, o custo da mão de obra também pesa na balança. O mercado paraguaio possui encargos trabalhistas significativamente menores, permitindo que o custo para manter um funcionário formalizado seja cerca de 40% inferior ao brasileiro.

A nova operação da Dass já nasce com impacto relevante: mais de 600 empregos diretos foram criados no Paraguai apenas nesta primeira fase da Dasstex.

Produção voltada ao Brasil

Um dos pontos que mais chama atenção é que a produção instalada no Paraguai terá inicialmente o próprio mercado brasileiro como destino principal.

Na prática, isso significa que produtos consumidos no Brasil poderão ser fabricados fora do país justamente por conta das diferenças de competitividade industrial.

O caso do Grupo Dass reforça uma tendência observada nos últimos anos: a migração gradual de indústrias brasileiras para o Paraguai.

Dados divulgados por entidades empresariais apontam que mais de 230 empresas brasileiras já se instalaram no território paraguaio desde 2007, aproveitando o regime de maquila, energia mais barata, menor burocracia e benefícios fiscais.

Esse movimento tem provocado preocupação entre economistas e representantes da indústria nacional, que alertam para a perda de empregos, arrecadação e capacidade produtiva brasileira.

Regime de maquila virou atrativo internacional

O regime de maquila do Paraguai permite que empresas produzam bens voltados à exportação pagando tributação extremamente reduzida sobre o valor agregado da produção.

O modelo transformou o Paraguai em um dos principais polos industriais emergentes da América do Sul, especialmente para setores têxtil, calçadista, autopeças e eletroeletrônicos.

Nos bastidores do setor industrial, empresários afirmam que o ambiente brasileiro se tornou cada vez mais difícil para competir internacionalmente.

Além da carga tributária elevada, fatores como insegurança jurídica, burocracia, custos logísticos e complexidade trabalhista aparecem entre os principais motivos que impulsionam a saída de operações para países vizinhos.

Grupo Dass diz que expansão não significa fechamento imediato no Brasil

Apesar da repercussão, o Grupo Dass afirmou que a operação no Paraguai faz parte de uma estratégia regional de expansão e que não há anúncio oficial de encerramento imediato das unidades brasileiras.

Ainda assim, o mercado interpreta o movimento como mais um sinal do enfraquecimento da competitividade industrial do Brasil diante de países que adotam políticas mais agressivas de atração empresarial.

O caso reacende discussões sobre reforma tributária, ambiente de negócios e políticas de incentivo à indústria nacional.

Enquanto isso, o Paraguai segue consolidando sua posição como um dos destinos preferidos de empresas brasileiras que buscam reduzir custos e ampliar margens de competitividade.

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