Brasil assume liderança global na carne bovina e ultrapassa EUA, aponta USDA
Produtividade, rebanho e apetite da China aceleram virada; EUA recuam com ajustes de oferta e clima
O Brasil ultrapassou os Estados Unidos e passou a liderar a produção mundial de carne bovina, segundo estimativas recentes do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e análises do mercado internacional. A mudança ocorre após uma revisão altista para o Brasil e queda projetada para os americanos, redesenhando o mapa global da proteína animal.
O que mudou no ranking
As projeções do USDA indicam que o Brasil chegou a cerca de 12,35 milhões de toneladas em 2025, superando a estimativa para os EUA, em torno de 11,81 milhões de toneladas, consolidando a virada no topo do ranking global.
Por que o Brasil avançou
O avanço brasileiro é atribuído a um conjunto de fatores:
- Ganho de produtividade com melhor genética, intensificação (confinamento/semiconfinamento), manejo reprodutivo e eficiência no ciclo de engorda, permitindo abate mais cedo sem necessariamente expandir área.
- Demanda externa firme, com destaque para a China, que sustenta o fluxo exportador e melhora a atratividade do mercado.
- Ajustes de oferta globais, abrindo espaço para o Brasil ampliar participação e estabilizar a oferta em um momento de restrição em outros grandes produtores.
Por que os EUA recuaram
Nos Estados Unidos, o movimento é o inverso:
- Recomposição/ajuste do rebanho após ciclos de abate e menor disponibilidade, combinada com impactos climáticos e custos, reduzindo o volume final.
O que isso significa para o mercado
A troca de liderança tende a:
- Reforçar o peso do Brasil na formação de preços e no abastecimento global, especialmente em anos de oferta apertada fora do país.
- Ampliar a exigência internacional por rastreabilidade e padrões sanitários, já que o Brasil ganha ainda mais centralidade no comércio de proteína.
Recorte Mato Grosso do Sul
Para Mato Grosso do Sul, um dos polos pecuários do país, a liderança brasileira amplia o efeito “puxador” sobre cadeia local: cria mais previsibilidade de demanda para cria, recria e engorda, pressiona por ganho de eficiência e reforça oportunidades em plantas frigoríficas e logística. O estado segue entre os maiores rebanhos do Brasil e tem municípios em posição de destaque nacional, como Corumbá.
O que vem pela frente
Para 2026, as projeções do USDA e de analistas divergem entre leve acomodação e continuidade de crescimento, com o ponto central sendo produtividade: se os ganhos de eficiência se mantiverem, o Brasil pode sustentar a liderança mesmo com oscilações do ciclo pecuário.









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