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ET de Varginha: como a imprensa internacional transformou o caso em um fenômeno global da ufologia

por | jan 21, 2026 | NOTÍCIAS | 0 Comentários

Varginha (MG) — Em 1996, o Brasil assistiu a um dos episódios mais intrigantes de sua história recente ganhar projeção mundial. O chamado “Caso do ET de Varginha”, que já ocupava espaço recorrente nos jornais impressos e telejornais nacionais, alcançou repercussão internacional após um especial de quase duas horas exibido pelo Fantástico, então o principal programa dominical da televisão brasileira.

O relato do suposto alienígena — descrito como uma criatura esquálida, de olhos vermelhos e com protuberâncias na cabeça — ultrapassou fronteiras e passou a ser acompanhado por jornalistas, pesquisadores e curiosos de diversos países. Rapidamente, Varginha passou a ser chamada de a “Roswell brasileira”, em referência ao famoso episódio ocorrido no Novo México, nos Estados Unidos, envolvendo a suposta queda de um disco voador, versão oficialmente negada pelo governo norte-americano.

Internet embrionária e o interesse dos ufólogos

Na metade da década de 1990, a internet ainda dava seus primeiros passos como espaço de troca de informações. Mesmo assim, comunidades dedicadas à ufologia já começavam a se formar em ambientes digitais rudimentares. Um exemplo foi a ParaNet, criada em 1986 como um Bulletin Board System (BBS), onde usuários podiam compartilhar arquivos e participar de debates em tempo real.

Dez anos depois, a rede lançou sua própria revista digital, a Continuum. Na edição de verão de 1996, publicada entre junho e setembro, o caso do ET de Varginha apareceu em uma breve matéria intitulada “Brazil UFOs?”. O texto trazia erros factuais, como a data do suposto avistamento e a ausência do famoso relato das três jovens que teriam encontrado a criatura em um terreno baldio, mas demonstrava que o episódio já chamava atenção fora do Brasil.

A publicação também mencionava um encontro de ufólogos realizado em junho daquele ano e atribuía declarações ao engenheiro Claudeir Covo, então presidente do Instituto Nacional de Investigações de Fenômenos Aeroespaciais (INFA), que afirmava se tratar da “operação mais extraordinária” já relatada por pesquisadores da área.

Cidade passa a lucrar com a fama extraterrestre

O caso ganhou ainda mais destaque quando passou a ser abordado por veículos tradicionais da imprensa internacional. Em julho de 1996, a respeitada Christian Science Monitor, vencedora de sete prêmios Pulitzer, publicou uma reportagem destacando que, enquanto os americanos lotavam cinemas para assistir ao filme Independence Day, a “rural e obscura” cidade de Varginha começava a lucrar com a história do extraterrestre.

Segundo o jornal, as jovens Liliane, Valquíria e Katia — apontadas como testemunhas diretas do encontro — estariam cobrando por entrevistas. O então prefeito, Aloysio Ribeiro, cogitava transformar a cidade em sede de uma conferência internacional de ufologia e apoiar iniciativas para torná-la um centro permanente de estudos extraterrestres.

A reportagem também citava o impacto cultural do episódio, lembrando que o programa humorístico Casseta & Planeta havia criado um personagem inspirado no ET mineiro, retratado de forma caricata e seguido por soldados atrapalhados.

Wall Street Journal e o tom crítico

No mesmo período, o Wall Street Journal, um dos jornais mais influentes do mundo, publicou uma reportagem extensa sobre o caso. O texto trazia depoimentos de moradores de Varginha, como o de uma mulher que passava noites observando o céu, acreditando que os visitantes poderiam ter sido “acolhidos” pela população local, caso os militares não tivessem interferido.

A matéria também mencionava previsões de uma vidente, que teria anunciado um “cataclisma” como resposta à suposta captura das criaturas, e fazia duras críticas à atuação das Forças Armadas brasileiras. O jornalista Matt Moffett chegou a relacionar o episódio ao passado autoritário do país, levantando questionamentos sobre a capacidade do Exército de ocultar operações.

Com ironia, o texto ainda destacava a precariedade orçamentária dos militares brasileiros, afirmando que, em exercícios de treinamento, soldados simulavam tiros gritando “bang” para economizar munição.

Um caso que atravessou décadas

Passadas quase três décadas, o Caso do ET de Varginha segue como um dos episódios mais emblemáticos da ufologia mundial. Entre relatos, erros, sátiras e teorias, o acontecimento permanece vivo no imaginário popular, reforçando o impacto que a narrativa teve não apenas no Brasil, mas também na forma como o país foi observado pela imprensa internacional naquele período.

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