A queda de cabelo é uma queixa comum entre homens e mulheres e, muitas vezes, tratada como algo passageiro ou superficial. Troca de shampoo, mudanças climáticas ou fases da vida costumam ser apontadas como causas imediatas. No entanto, especialistas alertam que, na maioria dos casos, a origem do problema está ligada a processos internos do organismo.
De acordo com o tricologista João Gabriel Fernandes, fundador da AnaGrow e especialista em queda e recuperação capilar, o cabelo funciona como um verdadeiro indicador da saúde geral. Em situações de estresse físico ou emocional, o corpo entra em um modo de economia de energia, priorizando órgãos vitais e suspendendo funções consideradas secundárias, como o crescimento capilar.
“O cabelo é um tecido não essencial para a sobrevivência. Diante de um evento extremo, o organismo redistribui energia e nutrientes. O fio paga essa conta meses depois”, explica Fernandes.
Esse mecanismo ocorre porque eventos de impacto podem interromper a fase de crescimento dos fios, chamada de fase anágena, empurrando uma grande quantidade de cabelos simultaneamente para a fase de repouso e queda, conhecida como fase telógena. O fenômeno recebe o nome de eflúvio telógeno e costuma provocar uma sensação de perda intensa e repentina.
Pós-parto, Covid e grandes cirurgias estão entre os principais gatilhos
Entre as causas mais recorrentes da queda capilar estão situações que exigem grande esforço metabólico do organismo. No pós-parto, por exemplo, o problema vai além das alterações hormonais.
“A gestação consome ferro, zinco, vitaminas do complexo B e proteínas. Quando essa reposição não ocorre adequadamente, o cabelo responde com queda”, afirma o tricologista.
Casos de queda após a Covid-19 também têm sido amplamente observados. Estudos indicam que o processo inflamatório sistêmico provocado pelo vírus pode alterar o funcionamento dos folículos capilares, inclusive em quadros considerados leves.
“Não é apenas o vírus, mas o estresse metabólico e imunológico que ele impõe ao organismo”, pontua Fernandes.
Cirurgias de grande porte, especialmente as bariátricas, também figuram entre os fatores de risco. A rápida perda de peso associada à diminuição da absorção de nutrientes cria um ambiente desfavorável para a saúde dos fios, levando a afinamento progressivo e quedas intensas.
Estresse crônico e traumas emocionais também afetam os fios
Nem sempre a causa da queda de cabelo é física. O estresse crônico, a privação de sono e traumas emocionais prolongados exercem impacto direto sobre o couro cabeludo e o ciclo capilar.
“O estresse altera níveis hormonais, como o cortisol, compromete a circulação local e mantém o organismo em estado inflamatório constante. Isso prejudica o ambiente onde o fio nasce”, explica o especialista.
Esse tipo de queda costuma ser mais difícil de identificar, pois não está associado a um evento isolado, mas a um desgaste contínuo, frequentemente normalizado na rotina moderna.
Quando a queda exige investigação?
É considerado normal perder cerca de 70 fios de cabelo por dia. O sinal de alerta surge quando há diminuição visível do volume, abertura da risca, aparecimento de falhas ou aumento significativo de fios no banho, na escova ou no travesseiro.
Nesses casos, recorrer apenas a produtos milagrosos tende a gerar frustração. O crescimento capilar é lento e depende do equilíbrio do organismo como um todo. Alimentação adequada, exames em dia, qualidade do sono e controle do estresse são pilares fundamentais no tratamento.
Segundo Fernandes, os protocolos mais eficazes associam ajuste nutricional, controle inflamatório e estímulo adequado do folículo capilar. “O objetivo não é acelerar resultados de forma artificial, mas criar condições para que o fio volte a crescer de maneira saudável, previsível e sustentável”, conclui.









0 comentários