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Painel inédito revela quem são, onde vivem e como estão os povos originários de MS

por | abr 20, 2026 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Mato Grosso do Sul passa a contar, a partir de agora, com um retrato detalhado e inédito de sua população indígena. O lançamento do Painel Povos Originários consolida, pela primeira vez, dados estruturados sobre população, território, etnias, línguas e condições de vida desses povos, oferecendo base concreta para formulação de políticas públicas mais eficazes.

O Estado abriga a terceira maior população indígena do Brasil, com 116.469 pessoas — o equivalente a 6,9% do total nacional. Desse contingente, 59% vivem em terras indígenas. O perfil demográfico aponta uma população predominantemente jovem, com maior concentração entre 15 e 29 anos, além de leve predominância feminina.

O painel também amplia a compreensão sobre a diversidade indígena no Estado. Embora Mato Grosso do Sul tenha oito etnias originárias oficialmente reconhecidas — Guarani Kaiowá, Guarani Ñandeva, Terena, Kadiwéu, Kinikinau, Guató, Ofaié e Atikum — o levantamento identifica a presença de 139 etnias e 48 línguas indígenas. Esse dado reflete o papel do Estado como polo de referência em saúde e educação, atraindo indígenas de diversas regiões do país.

Desenvolvido pelo Observatório da Cidadania, em parceria com a Secretaria de Estado da Cidadania e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, o painel reúne indicadores que vão de natalidade e envelhecimento a educação, moradia e distribuição territorial nos 79 municípios sul-mato-grossenses.

Segundo o coordenador do Observatório, Samuel Leite de Oliveira, a iniciativa busca dar visibilidade à diversidade e às especificidades culturais dos povos originários. Já o secretário de Estado da Cidadania, José Francisco Sarmento, destaca que o acesso a dados qualificados representa um avanço histórico. “Não existe política pública séria sem informação. O painel funciona como uma lupa para enxergar quem realmente precisa”, afirmou.

A construção desse diagnóstico nasceu justamente da ausência de dados. O técnico da Subsecretaria de Políticas Públicas para Povos Originários, Josias Ramires Jordão, relembra que antes era necessário consultar diretamente lideranças para obter informações básicas. Hoje, o cenário muda significativamente.

Para representantes das comunidades, o painel simboliza reconhecimento. Heliton Cavanha, da etnia Kaiowá, define o momento como histórico. “São mais de 500 anos de luta. Agora conseguimos mostrar quem somos e dialogar com base em dados.”

Disponível gratuitamente, o Painel Povos Originários representa não apenas um avanço técnico, mas uma mudança estrutural na forma de enxergar e atender os povos indígenas em Mato Grosso do Sul.

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