As farmacêuticas Moderna e MSD anunciaram, nesta terça-feira, novos e promissores resultados sobre a vacina terapêutica contra o melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. De acordo com os dados divulgados, a dose experimental reduziu em 49% o risco de morte ou de recorrência da doença cinco anos após o tratamento, quando administrada em conjunto com o imunoterápico pembrolizumabe, comercializado como Keytruda.
A vacina, denominada intismeran autogene, encontra-se nas etapas finais de desenvolvimento clínico e representa a iniciativa mais avançada da nova geração de imunizantes oncológicos personalizados. Os resultados são referentes ao acompanhamento de longo prazo da fase 2 dos testes clínicos, que avaliou 157 pacientes com melanoma de alto risco após cirurgia para remoção do tumor.
Nos ensaios, os voluntários receberam a combinação da vacina com o anticorpo monoclonal pembrolizumabe e foram comparados a um grupo tratado apenas com o medicamento imunoterápico. Além da redução de 49% no risco de morte ou retorno da doença, dados anteriores, com três anos de seguimento, já haviam indicado uma diminuição de 62% no risco de morte ou metástase.
Segundo Kyle Holen, vice-presidente sênior e chefe de desenvolvimento em oncologia e terapias da Moderna, os novos dados reforçam o potencial de benefício prolongado da abordagem combinada. “Com cinco anos de seguimento, os resultados destacam o impacto duradouro da associação entre a intismeran autogene e o Keytruda em pacientes com melanoma de alto risco ressecado”, afirmou o executivo em comunicado oficial.
Diante dos resultados positivos, a vacina recebeu o status de “terapia inovadora” concedido pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos. A fase 3, última antes do pedido de aprovação, teve início em 2023 e está prevista para ser concluída em 2030.
Como funciona a vacina terapêutica de RNA mensageiro
Diferentemente das vacinas tradicionais de caráter preventivo, a intismeran autogene é uma vacina terapêutica. Ela utiliza a tecnologia de RNA mensageiro (RNAm) — a mesma empregada nos imunizantes contra a Covid-19 — para estimular o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater o tumor já existente.
O processo envolve a retirada de proteínas específicas (antígenos) do tumor de cada paciente. A partir desse material, é produzida uma vacina personalizada, que “apresenta” o câncer ao sistema imunológico, induzindo a produção de defesas contra células tumorais que, naturalmente, conseguem se esconder da resposta imune.
Avanços globais e pesquisas no Brasil
Além da Moderna, a alemã BioNTech, em parceria com a Pfizer, também lidera pesquisas com vacinas de RNAm contra diversos tipos de câncer. A empresa desenvolve imunizantes em fase 2 contra melanoma, câncer de pulmão de células não pequenas, câncer colorretal, carcinoma de cabeça e pescoço e câncer de pâncreas — este último considerado um dos mais letais, com apenas 13% de taxa de sobrevivência.
No Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) retomou, neste ano, um projeto de vacina terapêutica contra o câncer com tecnologia de RNA mensageiro. A iniciativa, ainda em estágio inicial, já selecionou proteínas-alvo de um tipo de câncer de mama para os primeiros estudos.
Especialistas e representantes das farmacêuticas estimam que as primeiras vacinas terapêuticas contra o câncer possam ser aprovadas até 2030, impulsionadas pelos resultados consistentes e pelos estágios avançados dos ensaios clínicos.









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