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“Chega de pagar o preço”: Campo Grande amanhece sem ônibus e população diz basta à crise no transporte

por | dez 15, 2025 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Campo Grande amanhece sem ônibus e população diz “chega”: greve expõe cansaço com crise no transporte

A capital sul-mato-grossense amanheceu nesta segunda-feira (15) sem circulação de ônibus do transporte coletivo urbano. A greve geral dos motoristas, motivada pelo atraso no pagamento de salários e benefícios, paralisou completamente o sistema e deixou mais de 100 mil usuários sem alternativa de locomoção, escancarando não apenas um impasse trabalhista, mas também o cansaço da população com a recorrente crise no transporte público.

Logo nas primeiras horas do dia, terminais e pontos de ônibus estavam vazios. Trabalhadores e estudantes foram surpreendidos pela paralisação total da frota, tendo que recorrer a caronas, aplicativos de transporte ou caminhar longas distâncias para não perder compromissos.

A greve foi confirmada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCU-CG), após assembleias da categoria não avançarem em acordo com o Consórcio Guaicurus, responsável pela operação do sistema.

Salários atrasados motivaram paralisação

De acordo com o sindicato, os motoristas estão com salários atrasados desde o início de dezembro. Apesar de um pagamento parcial — cerca de 50% dos valores devidos — realizado na última semana, a categoria decidiu manter a paralisação até que haja a quitação integral dos salários, do 13º e dos benefícios.

“Pagamento parcial não resolve. Trabalhador tem contas, tem família. Sem receber, não tem como trabalhar”, reforçou a direção sindical.

População cansada e revoltada

Além dos impactos imediatos na mobilidade urbana, a greve trouxe à tona um sentimento cada vez mais comum entre os usuários: o esgotamento com um sistema que entra em colapso repetidamente.

A reportagem do 67 Digital News ouviu uma usuária do transporte coletivo, que depende diariamente dos ônibus para trabalhar e se deslocar pela cidade. Revoltada, ela desabafou:

“A gente está cansado disso. Todo ano é a mesma coisa: greve, atraso, ônibus quebrado. Quem paga o preço somos nós. Chegou a hora de dar um basta. O trabalhador não aguenta mais ser penalizado por um problema que nunca se resolve.”

Relatos semelhantes foram registrados em diversos pontos da cidade, com passageiros reclamando da falta de aviso prévio e da ausência de soluções definitivas para o transporte coletivo da Capital.

Impactos no trânsito e na economia

Com os ônibus fora de circulação, o trânsito ficou mais carregado em vias principais, impulsionado pelo aumento no uso de veículos particulares e aplicativos. Setores do comércio e de serviços também demonstraram preocupação com possíveis prejuízos caso a paralisação se estenda pelos próximos dias.

Prefeitura e Consórcio se manifestam

Em nota, a Prefeitura de Campo Grande informou que acompanha a situação e mantém diálogo com o Consórcio Guaicurus, afirmando que os repasses previstos em contrato estariam em dia. Já o Consórcio alegou dificuldades financeiras e apontou atrasos em receitas como fator determinante para o não pagamento integral da folha salarial.

Especialistas apontam que o impasse evidencia fragilidades estruturais no modelo de gestão do transporte público, que há anos enfrenta crises recorrentes, greves e desgaste crescente junto à população.

Enquanto não há definição, Campo Grande segue sem ônibus — e com uma população cada vez mais impaciente à espera de soluções concretas.

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