Em entrevista à colunista Liliane Rocha, a jornalista e empresária fala sobre reinvenção, legado feminino, violência de gênero, autonomia financeira e a urgência de “devolver ao mundo” tudo o que aprendeu.
Da bancada dos principais telejornais do país ao comando de um dos maiores fenômenos da cultura pop brasileira, Ana Paula Padrão nunca teve medo de mudar de rota. Agora, em uma fase marcada por propósito e coerência, ela se dedica a transformar experiência em impacto real, colocando as mulheres no centro da estratégia, da educação e da liderança.
Uma vida guiada pela coerência
Questionada sobre qual seria o título da própria trajetória, Ana Paula é direta: “Persiga a coerência. Ela sempre vence no final”.
Para ela, coerência tornou-se bem escasso em tempos em que a sociedade transforma pessoas em produtos e o mercado exige versões performáticas de si mesmas. “Não dá para ser um produto em um dia e outro produto no outro. Eu defendo mudanças, mas alguns princípios precisam permanecer”, afirma.
Finitude, tempo e o desejo de devolver
Ao enxergar a finitude com mais clareza após os 60 anos, a jornalista afirma que mudou seu olhar sobre o tempo.
“Passei a vida inteira ansiosa para aprender. Agora, sinto que preciso devolver mais do que aprender”, revela. Essa mudança de consciência guiou suas decisões recentes, especialmente a transição para projetos de impacto social e protagonismo feminino.
Autonomia feminina e o peso da violência de gênero
Estudiosa do comportamento social e das dinâmicas de gênero, Ana Paula reforça que a desigualdade não está apenas em oportunidades econômicas, mas em processos de socialização que ainda moldam as mulheres para a modéstia, o cuidado e o silêncio.
Ela traz um alerta contundente: “Quarenta e cinco por cento dos estupros de crianças com menos de 14 anos são cometidos por parentes próximos. Isso é uma epidemia”.
Para ela, trabalhar consciência, educação e fortalecimento feminino é uma forma de resistência e reconstrução social.
Reinvenção não é recomeço: é continuidade
Mesmo após consolidar sua imagem em grandes redações e no comando do MasterChef, Ana Paula decidiu investir em empreendedorismo e educação. Por meio do projeto Tempo de Mulher e da Conquer Unna Business School, ela constrói uma comunidade que conecta, inspira e forma lideranças femininas.
“Eu quero ser a maior comunidade de liderança feminina do Brasil. E vou ser. Quero mulheres com renda, carreira e liberdade de escolha”, afirma.
O que é sucesso?
Ana Paula responde sem hesitar:
“Sucesso é fazer as próprias escolhas. É olhar e dizer: deu certo para mim”.
O recado final: não desista de sonhar
Em um mundo polarizado e com pouco diálogo, ela deixa uma mensagem clara e necessária:
“Não desista. Quando perdemos a capacidade de sonhar, perdemos o que nos separa da barbárie”.
Ana Paula Padrão vive uma fase em que coerência, legado e impacto caminham juntos. Se antes ela contava histórias, agora constrói uma narrativa coletiva: a de mulheres que lideram, transformam realidades e escrevem a própria história.









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