Para muitos, peregrinar é apenas uma jornada física. Mas para Regiane Gandolfo da Silva, de 48 anos, moradora de Campo Grande, o Caminho da Fé se tornou um marco espiritual que vai além dos quilômetros percorridos. Em um percurso de sete dias até o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo, ela encontrou mais do que paisagens e desafios: encontrou amparo, superação e o verdadeiro sentido de comunidade e fé.
“Eu decidi fazer o Caminho da Fé para agradecer todo o amor e cuidado que Nossa Senhora sempre teve por mim e pela minha família”, conta Regiane, com a serenidade de quem carrega uma devoção cultivada desde a infância. Criada em uma família católica, ela estudou em colégio de freiras, onde a presença de Maria sempre foi constante. “Acredito que a minha devoção por Maria vem dessa caminhada desde a infância. Minha mãe sempre foi devota e me ensinou a mesma fé.”
A vontade de trilhar o Caminho da Fé, surgiu há dois anos. Mas o medo — e as limitações físicas — a impediram. “Eu estava insegura. Tenho lesões na coluna e uma fratura no pé, então sempre ficava apreensiva. Mas esse desejo já morava no meu coração há muito tempo.”

A oportunidade finalmente bateu à porta quando Regiane conheceu o grupo Magnífica, que organiza peregrinações com a empresa Imaculada Conceição Peregrinações. Mesmo sem experiência, ela não hesitou. “Eu não queria saber de detalhes, não queria explicações. Eu só queria viver a experiência. Fiz a inscrição sem pensar muito.”

A jornada contou com 61 peregrinos, vindos majoritariamente de Presidente Prudente (SP) e da Paróquia Nossa Senhora do Carmo. Regiane se sentiu ainda mais confiante ao convidar duas amigas, Rosângela e Célia. “Elas disseram ‘sim’ na hora. A gente deu força uma para a outra. O caminho é isso: apoiar-se sempre. Saber que a gente nunca caminha sozinho.”
E a caminhada foi desafiadora. “Eu achava que fazer cinco quilômetros por dia era suficiente, mas lá andávamos entre 18 a 28 quilômetros por dia.” A rotina começava cedo: às 5h30 da manhã, com missa diária celebrada pelo Padre Roberto, que Regiane descreve como “uma pessoa de sabedoria imensa, que só abrilhantou ainda mais a peregrinação”.
Mesmo com as dores físicas, o que mais a marcou foram os gestos de solidariedade e companheirismo. “Você via no olhar das pessoas a vontade de não deixar ninguém para trás. Ouvi muito: ‘Não, você não vai ficar pelo caminho, vamos, eu tô contigo’. O caminho me ensinou isso — que sempre vamos depender um do outro.”
Ao chegar na Basílica de Aparecida, o sentimento era indescritível. “Foi muita emoção. Eu só conseguia agradecer. Eu sabia que não tinha feito sozinha, foi Maria quem me conduziu até lá.” Regiane fez suas orações e entregou as intenções que levava no coração. “Valeu cada passo. Cada dificuldade. Era nítido no rosto de cada um a emoção de ter conseguido chegar.”
Mas mais do que um desafio físico, a peregrinação transformou a forma como Regiane enxerga a vida. “O Caminho da Fé me mostrou que não é sobre mim, é sobre todas as coisas. Onde quer que eu esteja, preciso olhar com amor, sem julgar, sem condenar. Mesmo quem não é próximo ou quem não gosta tanto de mim, eu preciso amar e, se for preciso, ajudar.”
Ela também reforça que a peregrinação é um convite a viver a fé de forma prática e coletiva. “Ali, pessoas estranhas estavam o tempo inteiro me motivando e me ajudando. É sobre isso: levar a vida com mais leveza e olhar com amor para todas as coisas.”
Regiane já faz planos para retornar no próximo ano, dessa vez acompanhada do filho. “Ele também quer viver essa experiência e vamos juntos, se Deus e Nossa Senhora permitirem.”
Para ela, a mensagem principal é clara: “Nossa Senhora é amor, cuidado, zelo e compaixão. Foi desafiador, mas foi a experiência mais linda da presença de Deus e de Maria na minha vida e na vida da minha família. Eu recomendo a todos.”












Vc é maravilhosa , guerreira e nossa mãezinha sempre andando ao nosso lado . Orgulho de vc menina .