Segundo Telma Shimizu, o Japão no Brasil é feito de sabores, histórias e raízes além do sushi
A chef e embaixadora da culinária japonesa no Brasil, Telma Shimizu, busca desconstruir a ideia de que a cultura japonesa no país se resume à gastronomia popular ou ao bairro da Liberdade. Dono do restaurante Aizomê, na região dos Jardins, em São Paulo, ela aposta em uma culinária que valoriza ingredientes locais, sazonais e técnicas tradicionais como o sushi Edomae, típico de Tóquio — sem depender do salmão ou dos modelos conhecidos de rodízio e califórnia roll.
Telma traça suas origens afetivas desde a infância, ao lado da avó e da mãe, carregando referências que unem sabor, arte e poesia. Formada inicialmente em medicina e passando por publicidade e moda, ela encontrou na gastronomia uma forma de expressar sua criatividade e herança cultural.
Em sua cozinha, o respeito ao lugar de onde vêm os ingredientes dialoga com conceitos como omotenashi (hospitalidade japonesa) e mottainai (filosofia contra o desperdício). Essa abordagem rendeu a Telma o título de Embaixadora da Cultura e Culinária Japonesa, concedido pelo governo do Japão.
Mesmo com influências fortes da comunidade nipo-brasileira, Telma reforça que o Japão brasileiro não se limita à Liberdade, e por isso busca trazer à tona ingredientes de lugares como o Cinturão Verde, o litoral e até o Mato Grosso do Sul — como o sobá regional.
Ela segue em busca de significados mais amplos: abrir restaurante no bairro da Saúde voltado ao público idoso, estudar comunidades japonesas como a de Tomé-Açu (PA), e ensinar além da técnica — conectando culinária, cultura e identidade.









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