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Ciência no asfalto: como a perícia da Polícia Científica reconstrói acidentes graves em Mato Grosso do Sul

por | maio 26, 2026 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Quando um grave acidente de trânsito acontece, cada detalhe deixado na pista pode se transformar em prova. Marcas de frenagem, fragmentos espalhados, posição dos veículos, fluidos no asfalto e até a deformação da lataria ajudam a contar a história do impacto. Em Mato Grosso do Sul, esse trabalho é realizado pela Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, responsável por transformar vestígios em evidências técnico-científicas que auxiliam investigações e decisões judiciais.

Durante o Maio Amarelo, campanha mundial de conscientização para redução de acidentes, o trabalho da perícia ganha ainda mais relevância ao mostrar que compreender as causas de uma colisão também é uma ferramenta de prevenção.

Segundo o perito criminal Emerson Lopes dos Reis, diretor do IC (Instituto de Criminalística), a função da perícia vai além de apontar culpados.

“O papel da instituição é materializar a verdade através da ciência. Nós não buscamos culpados, buscamos entender a dinâmica do evento”, afirmou.

O que a perícia analisa em um acidente

A equipe da perícia criminal costuma ser acionada em acidentes com mortes, lesões graves, suspeita de crime de trânsito ou em casos onde há necessidade de esclarecimento técnico para processos judiciais.

Ao chegar ao local, os peritos realizam uma análise detalhada da cena. O trabalho começa pela avaliação das condições de segurança da área e pela preservação dos vestígios. Depois, são feitos registros fotográficos, medições e levantamentos técnicos.

Entre os elementos observados estão:

  • marcas de frenagem e derrapagem;
  • ponto provável da colisão;
  • deformações dos veículos;
  • fragmentos espalhados na pista;
  • vazamento de fluidos;
  • posição final dos automóveis;
  • condições da sinalização e da pista.

Com base nesses dados, os especialistas utilizam princípios da física e da engenharia para calcular velocidade aproximada, trajetória dos veículos, direção das forças do impacto e sequência da colisão.

“Não é achismo, é cálculo puro”, resume o diretor do IC ao explicar a análise das marcas de frenagem.

Chuva, buracos e iluminação também entram na investigação

A análise pericial não se limita ao comportamento dos motoristas. A estrutura da via e fatores ambientais também podem ser determinantes para um acidente.

Os peritos verificam situações como:

  • iluminação insuficiente;
  • pista molhada;
  • neblina;
  • buracos;
  • ondulações;
  • sinalização inadequada;
  • problemas geométricos da via;
  • baixa visibilidade.

Em alguns casos, a perícia identifica falhas mecânicas ou problemas em sistemas de segurança dos veículos, como freios, airbags, direção e cintos de segurança.

Após o exame no local, os automóveis podem passar por análises complementares para verificar se houve defeitos mecânicos que contribuíram para a tragédia.

Preservar o local pode ser decisivo

Um dos maiores desafios enfrentados pela perícia é a alteração da cena do acidente antes da chegada da equipe técnica.

Mover veículos, retirar peças da pista ou até varrer fragmentos pode comprometer cálculos importantes e prejudicar a conclusão do laudo.

“Mover um veículo ‘apenas um pouco’ ou varrer os detritos antes da nossa chegada pode inviabilizar o cálculo da velocidade ou a determinação de quem invadiu a pista contrária”, alertou Emerson Lopes dos Reis.

Tecnologia ajuda a reconstruir acidentes com mais precisão

A evolução tecnológica também mudou a forma como os acidentes são analisados em Mato Grosso do Sul.

Hoje, a Polícia Científica utiliza drones, scanners a laser e softwares de simulação tridimensional para mapear cenas complexas com mais rapidez e precisão.

Os recursos permitem:

  • reduzir o tempo de interdição das vias;
  • criar reconstruções digitais do acidente;
  • documentar os vestígios com mais fidelidade;
  • tornar os laudos mais compreensíveis.

Além de auxiliar investigações específicas, os laudos periciais também ajudam o poder público a identificar pontos críticos nas cidades e rodovias.

Trechos com recorrência de acidentes, falhas de sinalização ou problemas estruturais podem ser detectados a partir dos dados levantados pela perícia.

“O laudo pericial não apenas esclarece o passado, ele ajuda a projetar um trânsito mais seguro”, concluiu o diretor do Instituto de Criminalística.

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