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Cobrança de taxa ambiental em Bonito ocorre em meio a crise persistente de atropelamentos de fauna

por | dez 19, 2025 | FAUNA NAS ESTRADAS, NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Município passa a taxar turistas enquanto mortes de animais silvestres seguem registradas nas principais rodovias de acesso ao destino

Bonito (MS) inicia no próximo dia 20 de dezembro a cobrança da Taxa de Conservação Ambiental (TCA), no valor de R$ 15 por pessoa e por dia de permanência. A medida, apresentada pela prefeitura como instrumento para financiar ações de preservação ambiental, entra em vigor em um contexto marcado por falhas históricas na proteção da fauna silvestre, especialmente diante dos elevados índices de atropelamentos registrados no município e em seu entorno.

Reconhecida como um dos principais destinos de ecoturismo do país, a cidade convive há anos com mortes recorrentes de animais em vias urbanas e rodovias estaduais que concentram o fluxo de visitantes. Um dos levantamentos mais recentes sobre o tema foi realizado pela bióloga Amanda Messias e divulgado em 2024, a partir de trabalho de campo nas rodovias MS-178, MS-345 e MS-382, principais acessos a Bonito.

O estudo, conduzido ao longo de 40 dias distribuídos entre dezembro de 2023 e julho de 2024, registrou 463 animais atropelados, sendo 428 silvestres, além de animais domésticos e indivíduos não identificados. Entre as espécies atingidas estão mamíferos de médio e grande porte, como tamanduá-bandeira, capivara e cachorro-do-mato, o que indica risco elevado tanto para a biodiversidade quanto para a segurança viária.

Apesar da existência pontual de passagens de fauna em alguns trechos, avaliações técnicas apontam que a ausência de cercamento e de direcionamento adequado compromete a eficácia dessas estruturas. Estudos já identificaram áreas críticas de atropelamento e indicaram soluções de engenharia capazes de reduzir significativamente as colisões, mas as medidas seguem sem implementação.

O impacto dos atropelamentos vai além da perda ambiental. Colisões envolvendo animais silvestres representam risco direto para motoristas e passageiros, especialmente em rodovias com tráfego intenso e sinalização limitada, problema recorrente em regiões turísticas com crescimento acelerado da circulação de veículos.

A prefeitura informa que os recursos arrecadados com a Taxa de Conservação Ambiental terão destinação específica para ações como gestão de resíduos, reflorestamento, monitoramento ambiental, infraestrutura urbana e educação ambiental. No entanto, não há detalhamento público claro sobre a aplicação direta desses recursos em medidas voltadas à mitigação dos atropelamentos de fauna, um dos impactos ambientais mais visíveis e documentados da região.

Especialistas e entidades ambientais defendem que a efetividade da cobrança depende de planejamento, transparência e prioridade política para problemas já diagnosticados. Sem a conversão da arrecadação em ações estruturais, a taxa corre o risco de aprofundar o descompasso entre o discurso de conservação e a realidade enfrentada pela fauna silvestre em um território cuja economia e imagem pública estão diretamente associadas à preservação ambiental.

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