A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) aprovou, nesta terça-feira (12), um novo modelo de votação paritária para o processo eleitoral da reitoria. A decisão foi tomada durante sessão extraordinária do Conselho Universitário (COUNI), realizada de forma presencial — retomada que não ocorria desde 2020, em razão da pandemia.
Com a mudança, estudantes, docentes e profissionais técnicos passam a ter peso igual no processo eleitoral, com divisão dos votos em três partes equivalentes (1/3 para cada categoria). A proposta foi aprovada com ampla maioria no COUNI e passa a valer já na próxima eleição para os cargos de gestão superior da instituição.
O novo sistema altera o modelo anteriormente adotado e busca garantir isonomia entre os segmentos que compõem a comunidade acadêmica. A proposta teve como proponente o Sindicato dos Profissionais Técnicos da Educação Superior da UEMS (Sintuems), por meio da presidente Ana Maria Rauber, e contou com apoio do Diretório Central dos Estudantes (DCE/UEMS).
Contexto nacional
A adoção do voto paritário aproxima a UEMS de uma prática já existente em parte significativa das universidades públicas brasileiras. Das 100 universidades públicas do país, 67 já adotam algum modelo de paridade nas eleições para reitoria.
No âmbito federal, 43 das 59 universidades utilizam o sistema paritário, o que representa 72,88%. Entre as universidades estaduais, 24 das 41 adotam esse modelo, correspondendo a 58,53%.
Manifestações da gestão
Durante a sessão, o reitor da UEMS, Laércio de Carvalho, destacou o caráter histórico da decisão. Segundo ele, a aprovação do voto paritário reafirma o compromisso institucional com a democracia e a construção coletiva.
“A universidade é, por essência, um espaço de liberdade e de construção coletiva. Com a aprovação do voto paritário, reafirmamos o compromisso com a democracia e com a voz ativa de todos os membros da comunidade acadêmica”, afirmou.
A vice-reitora Luciana Ferreira também ressaltou a relevância da medida para a representatividade interna. Para ela, o novo sistema garante participação equilibrada nas decisões que impactam a vida acadêmica e administrativa da instituição.
“O voto paritário reflete a missão da universidade de promover equidade e fortalecer a diversidade nas decisões institucionais. Cada categoria passa a ter o mesmo peso no processo eleitoral”, destacou.
Avaliação dos segmentos
A presidente do Sintuems, Ana Maria Rauber, classificou a aprovação como uma conquista histórica para os profissionais técnicos. Segundo ela, o novo modelo reconhece a importância do trabalho desenvolvido pela categoria no cotidiano universitário.
“Foi uma luta construída com diálogo, visitas às unidades e conversas com conselheiros. O voto paritário representa justiça e reconhecimento. A UEMS sai fortalecida”, declarou.
O presidente da Associação dos Docentes da UEMS (Aduems), Marcelo Batarce, pontuou que houve debate prévio na categoria docente e manifestações favoráveis ao adiamento da pauta, mas reconheceu o resultado do processo deliberativo.
“Houve discussão com a base e manifestações de colegiados de curso. Defendemos esse posicionamento, mas respeitamos o resultado democrático aprovado no COUNI”, afirmou.
Participação estudantil
O movimento estudantil também celebrou a decisão. Para o presidente do DCE/UEMS, Reinaldo Rodrigues, a paridade amplia a democracia interna ao assegurar igualdade de peso às decisões dos estudantes.
“A nossa voz agora tem o mesmo peso nas decisões que afetam a universidade. Isso fortalece a democracia e garante que os interesses de todos os setores sejam considerados”, avaliou.
Próximos passos
Com a aprovação, as próximas eleições para cargos de liderança da UEMS já ocorrerão sob as novas regras. A expectativa da administração e dos segmentos da comunidade acadêmica é que o novo modelo contribua para uma gestão mais representativa, participativa e alinhada às práticas de governança democrática adotadas em outras universidades públicas do país.









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