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“É o Natal da proteína”: Ozempic muda o carrinho do brasileiro e atrai investidores globais

por | dez 25, 2025 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

O avanço dos medicamentos para emagrecimento à base de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, já começa a provocar mudanças estruturais no padrão de consumo dos brasileiros — e a reorientar decisões estratégicas de grandes empresas e investidores globais. A avaliação é de Marcos Molina, controlador da MBRF, grupo que reúne marcas como Sadia, Perdigão e Marfrig, e um dos principais nomes do setor de proteína animal no país.

Em conversa com jornalistas, Molina afirmou que redes de supermercados vêm registrando uma queda expressiva na venda de produtos ricos em carboidratos e açúcar, enquanto o consumo de proteínas permanece resiliente e, em alguns casos, em trajetória de crescimento.

“É o Natal da proteína”, afirmou o empresário, ao relatar dados compartilhados por grandes varejistas brasileiros que já identificam o impacto direto do uso desses medicamentos no comportamento de compra dos consumidores.

Dados do varejo confirmam mudança

Relatórios recentes da Abras (Associação Brasileira de Supermercados) reforçam o diagnóstico. Na semana de 3 a 9 de novembro, a cesta de proteína animal apresentou alta de 16,6% nas vendas em valor na comparação anual. No mesmo período, produtos tradicionais da base alimentar brasileira, como arroz, feijão e açúcar, registraram queda de 18,2%.

Segundo executivos do setor, o fenômeno está diretamente associado ao aumento do uso de medicamentos que reduzem o apetite e alteram a percepção de saciedade, levando o consumidor a comer menos volume, porém com maior foco em valor nutricional.

Impacto já chega ao mercado financeiro

A mudança de hábito não se limita ao varejo. Molina relatou que o movimento já começa a influenciar a tese de investimento de grandes fundos internacionais, especialmente nos Estados Unidos.

“Pela primeira vez ouvimos que fundos estão tirando dinheiro de empresas de snacks e colocando em proteína”, afirmou o empresário, após reuniões com gestores em Nova York, durante evento promovido pelo Bradesco BBI.

Na avaliação do controlador da MBRF, a tendência representa uma reprecificação estrutural de categorias alimentares, favorecendo empresas com portfólios alinhados à nova demanda por proteínas, alimentos funcionais e produtos de alta densidade nutricional.

Indústria se reposiciona para o novo consumidor

O movimento já vinha sendo observado na indústria alimentícia. Como mostrou o InvestNews, companhias como Danone, JBS e a própria MBRF vêm reposicionando seus portfólios, com foco em refeições proteicas prontas, iogurtes enriquecidos e produtos direcionados a consumidores que fazem uso de análogos de GLP-1 — conhecidos como o “hormônio da saciedade”.

Para Molina, a transformação deve ganhar ainda mais força nos próximos anos, especialmente a partir de 2026, com a consolidação desses medicamentos e o aumento da preocupação dos consumidores em preservar massa magra durante o processo de emagrecimento.

“Estamos vendo o nascimento da chamada ‘Ozempic economy’. Ela ainda está no começo, mas já influencia o consumo, a indústria e os investimentos”, concluiu.

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