A busca por uma pele luminosa, lisa e “sem os sinais do tempo” — símbolo da tendência de beleza coreana conhecida como “glass skin” — está estimulando um fenômeno curioso: mulheres dos Estados Unidos embarcam em massa para a Seoul, na Coreia do Sul, em busca de uma injeção cosmética ainda não liberada pela Food and Drug Administration (FDA). Trata-se do tratamento Rejuran — que utiliza fragmentos de DNA de salmão (polinucleotídeos, ou PN) para estimular a regeneração da pele.
O que é o Rejuran?
O Rejuran é uma terapia de skin-booster que aproveita moléculas chamadas PN ou PDRN (polydeoxyribonucleotídeo) extraídas de DNA de salmão purificado. Essas moléculas são altamente biocompatíveis com o tecido humano, promovendo estímulo à produção de colágeno, melhora da elasticidade e regeneração celular. Em clínicas na Coreia, o tratamento pode envolver até 150 micro-injeções superficiais ao longo da face para distribuição uniforme.
Por que as americanas estão indo até a Coreia?
Apesar da popularidade crescente nos EUA, o Rejuran não é aprovado pela FDA para uso injetável nos Estados Unidos — apenas para uso tópico ou como skin-booster em combinação com microneedling. Na Coreia, no entanto, o produto está liberado desde 2014 e já faz parte do “arsenal” da estética high-tech sul-coreana. Em consequência, mulheres americanas dispostas à viagem pagam valores de até US$ 450 ou mais por sessão para realizarem o procedimento na Coreia. A cultura K-beauty e o boom de K-pop e K-dramas também contribuem para o status de desejo internacional da pele “iluminada” coreana — ou seja, há um componente cultural de tendência de beleza global que impulsiona o movimento.
Efeitos, cuidados e riscos
Os promotores da técnica afirmam que os resultados podem durar até cerca de 1 ano — dependendo da pele, da manutenção e do protocolo utilizado. A pele fica mais lisa, com textura mais uniforme, “glow” renovado e menos poros visíveis.
O pós-tratamento exige cuidados: inchaço leve, vermelhidão ou pequenas marcas de injeção são comuns nas 24 – 48 h iniciais. Apesar de considerado seguro em contextos clínicos coreanos, o fato de não haver aprovação FDA significa que o procedimento nos EUA estaria numa zona regulatória cinzenta — pacientes devem estar cientes da origem do produto, da experiência do profissional e optar por clínicas confiáveis se decidirem viajar.
O cenário regulatório e perspectivas futuras
No panorama regulatório, a diferença entre Estados Unidos e Coreia do Sul fica clara: nos EUA, produtos injetáveis devem passar por rigorosa aprovação da FDA, enquanto na Coreia o caminho à clínica tende a ser mais rápido para inovações estéticas. Segundo publicações especializadas, o fabricante do Rejuran já protocolou pedido de aprovação junto à FDA, embora ainda não haja liberação formal para injeção. Se aprovado, esse tipo de tratamento que estimula regeneração celular pode se popularizar ainda mais nos EUA — mas até lá, as viagens estéticas ao exterior mantêm seu apelo.
O que considerar antes de se jogar
- Verifique a procedência do produto e da clínica: certificações, histórico, depoimentos.
- Considere os custos totais: viagem, acomodação, pós-tramento, idiomas.
- Avalie bem o tempo de recuperação e o cuidado pós-sessão (evitar sol intenso, exercícios pesados, etc.).
- Pergunte sobre protocolo: quantas sessões são recomendadas, intervalo, manutenção.
- E mais: considere a alternativa de tratamentos menos invasivos ou aprovados localmente.
Conclusão
A corrida pelo “glow” da pele à la K-beauty está levando muitas mulheres aos aeroportos — e para clínicas ultramodernas em Seul — em busca de um visual radiante e regenerado. Com o Rejuran como protagonista dessa jornada, o cenário mostra como beleza, cultura pop e globalização de estética se entrelaçam. Mas, como em toda inovação, o cuidado e a consciência sobre aprovação, riscos e expectativas são tão importantes quanto o efeito “vidro” que inspira tantas.









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