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Ele fracassou sete vezes — até que uma ressaca criou a marca de doces mais amada do Brasil

por | dez 24, 2025 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

O criador da Fini tentou de tudo para enriquecer. Falhou sete vezes. Foi uma ressaca — mais moral do que física — que mudou o rumo da história e deu origem a uma das marcas mais queridas do Brasil.

Manuel Sánchez, filho de camponeses na Espanha, passou décadas tentando escapar do destino que parecia traçado. Hortaliças, detergentes, munição, temperos, chá, bebidas alcoólicas. Sete tentativas, sete fracassos consecutivos. Nenhuma delas foi suficiente para garantir o futuro que ele desejava aos filhos.

Até que, em uma noite comum, ao voltar embriagado de um bar, Manuel teve um momento de lucidez que redefiniria sua trajetória. A ressaca moral veio antes da física. Ele entendeu que, daquele jeito, não chegaria a lugar algum.

O insight mais simples costuma ser o mais poderoso

Naquele instante, Manuel percebeu algo que estava diante de seus olhos havia anos: duas fábricas da sua região cresciam rapidamente. Ambas produziam doces. Não havia glamour, inovação ou tecnologia envolvida. Apenas consumo recorrente.

Sem capital e sem margem para errar novamente, ele começou do jeito mais básico possível: fabricando, manualmente, a goma base para chicletes. Um produto simples, nada escalável — ao menos naquele momento.

O primeiro ponto de virada veio quando um cliente comprou sua fórmula. O valor recebido permitiu a compra da primeira máquina. Pequena para o mercado, gigantesca para alguém que carregava sete fracassos nas costas.

Uma empresa familiar, literalmente

Na década de 1970, Manuel e a esposa Josefa passaram a produzir balas de gelatina à mão. Os filhos vendiam de bicicleta pelas ruas. O nome da marca foi uma homenagem ao apelido carinhoso de Josefa: Fini.

A empresa cresceu pela Espanha, avançou pela Europa e chegou à América do Norte. Mas o maior desafio ainda estava por vir.

Brasil: o quase fim que virou o maior mercado do mundo

Em 1998, o filho Antônio Sánchez veio ao Brasil e enxergou o que parecia uma oportunidade óbvia: o maior produtor de açúcar do mundo. Em 2001, a Fini inaugurou sua primeira fábrica fora da Espanha, em Jundiaí (SP).

O problema era cultural. O consumidor brasileiro via o produto como caro, estranho e pouco familiar. As vendas não reagiam. Em 2007, a situação ficou crítica: a fábrica foi colocada à venda. Nenhum interessado apareceu.

Sem saída, a empresa fez o que poucas marcas têm coragem de fazer: parar para ouvir.

A virada veio do comportamento, não do produto

A Fini decidiu mergulhar profundamente no comportamento do consumidor brasileiro. O que ele desejava? O que não entendia? O que gerava rejeição?

Essa pausa estratégica, interpretada por muitos como sinal de fraqueza, tornou-se o alicerce da virada.

Em 2010, chegaram ao mercado brasileiro os famosos “tubos” de gelatina. Coloridos, acessíveis, compartilháveis. Eles viralizaram antes mesmo da era dos algoritmos e entraram no cotidiano de uma geração inteira.

A Fini entendeu que não vendia apenas balas. Vendia experiência, cor, humor e memória afetiva.

De doce a fenômeno cultural

A jogada mais ousada veio em 2023, quando a Fini se uniu à Cimed para lançar os hidratantes labiais Carmed com sabor das balas. O estoque previsto para quatro meses esgotou em apenas 15 dias.

No TikTok, os vídeos ultrapassaram 267 milhões de visualizações. A linha Carmed saltou de um faturamento de R$ 24 milhões para R$ 400 milhões em apenas um ano — crescimento de 1.500%, totalmente orgânico.

Hoje, a Fini detém cerca de 70% do mercado brasileiro de balas de gelatina. O Brasil, que quase encerrou a operação da empresa em 2007, tornou-se seu maior mercado no mundo.

No fim das contas, Manuel Sánchez nunca fracassou. Cada queda apenas apontou, com mais clareza, o caminho que ele precisava seguir.

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