Sydney (Austrália) – O Hospital de Liverpool, na Austrália, entrou para a história da medicina ao inaugurar a primeira máquina de ressonância magnética do país equipada com tecnologia de crioablação, um procedimento minimamente invasivo capaz de destruir tumores por congelamento, sem cortes, bisturi ou cicatrizes.
A inovação representa um salto significativo no tratamento oncológico e já começa a mudar a realidade de pacientes que, até então, enfrentavam cirurgias complexas, longos períodos de internação e recuperação dolorosa.
O procedimento, chamado de crioablação guiada por ressonância magnética, funciona a partir da inserção de uma agulha extremamente fina diretamente no tumor, com o auxílio de imagens de alta precisão em tempo real. Por essa agulha, é liberado um gás que congela o tecido doente, formando uma chamada “bola de gelo”. O congelamento destrói as células cancerígenas sem afetar significativamente os tecidos saudáveis ao redor.
Menos dor, menos tempo no hospital
Um dos grandes diferenciais da nova técnica é o impacto direto na qualidade de vida dos pacientes. Em muitos casos, a pessoa entra no hospital sentindo dor intensa e recebe alta no dia seguinte, sem dor, algo impensável em cirurgias oncológicas tradicionais.
Um exemplo real é o da australiana Josephine Cordina, de 64 anos, que sofria com dores severas na coluna causadas por um tumor de apenas 9 milímetros. O tratamento convencional indicava uma cirurgia invasiva, com colocação de parafusos na coluna e um longo período de recuperação. Diante da nova possibilidade, Josephine optou pela crioablação guiada por ressonância magnética. O resultado foi imediato: no dia seguinte ao procedimento, ela já estava sem dor e voltou para casa.
Avanço tecnológico com potencial global
A implantação do equipamento faz parte de um amplo programa de modernização do Hospital de Liverpool, que investe em tecnologias de ponta para diagnóstico e tratamento do câncer. Especialistas apontam que a combinação entre ressonância magnética em tempo real e crioablação oferece um nível de precisão muito superior a outros métodos de ablação existentes.
Esse avanço ganha ainda mais relevância diante dos números globais da doença. Dados do Global Cancer Observatory (GLOBOCAN 2020), da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), indicam que mais de 19 milhões de novos casos de câncer foram registrados no mundo em 2020. Desse total, cerca de 900 mil foram de câncer de rim, 2,3 milhões de mama e 900 mil de fígado.
Embora nem todos os pacientes sejam elegíveis para terapias locais, uma parcela significativa pode se beneficiar de técnicas como a crioablação, especialmente em tumores pequenos ou localizados. Com a ampliação do acesso a tecnologias mais precisas, milhões de pessoas poderão ter alternativas menos invasivas e mais rápidas de tratamento.
O futuro do tratamento oncológico
Especialistas ressaltam que a crioablação guiada por ressonância magnética não substitui todas as cirurgias, mas representa uma nova fronteira na medicina intervencionista, principalmente para pacientes que não podem se submeter a procedimentos agressivos.
A expectativa é que, com a evolução tecnológica e a expansão desse tipo de equipamento, tratamentos antes considerados complexos passem a ser realizados com menos risco, menos dor e recuperação muito mais rápida, redefinindo o cuidado oncológico no mundo.









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