Liquidação do Banco Master deve apertar regras do FGC e elevar risco no curto prazo
A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central nesta terça-feira (18), acendeu um alerta no mercado financeiro e deve provocar mudanças profundas no funcionamento do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Especialistas apontam que o episódio deve endurecer as regras do fundo e aumentar o risco de crédito entre bancos de pequeno e médio porte.
Segundo Marilia Fontes, sócia da Nord Investimentos, o grande volume de CDBs emitidos pelo Master com taxas muito acima da média do mercado comprometeu o colchão de liquidez do FGC, que agora será pressionado pelos pedidos de ressarcimento dos investidores.
“As taxas desses bancos tendem a subir porque a percepção de risco aumentou”, afirma Fontes.
Impacto imediato: captação mais difícil e spreads maiores
Com a crise do Master, investidores passaram a evitar bancos menores, o que deve encarecer a captação via CDBs e pressionar os spreads no curto prazo.
Os números impressionam:
- 1,6 milhão de clientes do Master possuem ativos cobertos pelo FGC.
- O montante chega a R$ 41 bilhões, cerca de 30% da liquidez do FGC, hoje em R$ 121 bilhões.
O ressarcimento segue o limite padrão: R$ 250 mil por CPF, incluindo rendimentos até a data da liquidação.
Modelo de risco elevado acendeu alertas antes do colapso
O Master cresceu oferecendo CDBs que pagavam até 140% do CDI, atraindo investidores pela garantia do FGC. O problema: o banco aplicava grande parte desses recursos em ativos de alto risco, como precatórios e crédito privado de empresas com dificuldades financeiras—ativos ilíquidos, incapazes de cobrir os vencimentos de curto prazo.
A situação se agravou após a tentativa frustrada de venda de fatia do banco ao BRB, que acabou envolvendo a operação em uma investigação da PF e culminou na prisão de Daniel Vorcaro por suspeita de crimes financeiros.
Fundos de pensão também estavam expostos. O Rioprevidência, por exemplo, aplicou quase R$ 2,6 bilhões em produtos ligados ao Master, até ser proibido pelo TCE-RJ de fazer novas alocações.
FGC deve endurecer regras — e investidores também
Com a pressão sobre o fundo, cresce a demanda por normas mais rígidas. A recente atualização aprovada pelo CMN, que reduz gatilhos para cobrança adicional e dobra a alíquota da Contribuição Adicional, é vista como insuficiente.
Fontes defende que a revisão das regras precisa ser mais profunda, especialmente para limitar alocações de bancos garantidos pelo FGC em ativos arriscados. Ela também sugere maior responsabilização do investidor:
“Pelo menos deveria perder a rentabilidade. Assim, o investidor entende que não basta comprar um título e esperar pelo FGC.”
As mudanças estruturais entram em vigor em 1º de junho de 2026, mas os efeitos da liquidação do Master já começam a ser sentidos pelo mercado.









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