Sertões Kitesurf: quando o espetáculo dos atletas esbarra na falta de valorização
Entre a paixão e a frustração
O Sertões Kitesurf, um dos eventos mais aguardados do calendário nacional da modalidade, voltou a movimentar praias, ventos e corações. Durante quatro dias de prova intensa, os melhores atletas do país se desafiaram em busca de superação, resistência e técnica — mostrando porque o kitesurf é um dos esportes mais vibrantes do cenário aquático brasileiro.
Mas, por trás das manobras de tirar o fôlego, há um sentimento que paira no ar: indignação.
O atleta Alex Neto, que conquistou o 2º lugar na categoria Profissional, expôs em suas redes sociais um desabafo que vem ecoando entre os competidores. Apesar do orgulho por sua performance e dedicação, Alex lamentou a falta de reconhecimento material e simbólico aos atletas que dedicam corpo e alma à competição.
“Não é sobre ganhar mais, é sobre ganhar o justo”
Em seu relato, Alex Neto celebrou o resultado com emoção, mas não poupou críticas à organização:
“Foram quatro dias intensos de muita adrenalina e concentração… o nível dos atletas só sobe a cada ano. Damos o nosso melhor, arriscamos nossas vidas em alguns momentos, e ainda assim, a premiação é uma coqueteleira, uma bolsa do evento e dois protetores solar. Isso é justo?”
A fala sintetiza a revolta de quem vive o esporte na pele. Segundo ele, o evento não divulgou previamente a premiação, e o que foi entregue no pódio gerou constrangimento geral entre os competidores.
“Juro que estou mega arrependido de ter atendido ao pedido feito! Nem mesmo o troféu teve um cuidado estético… um simples pedaço de acrílico com base de madeira.”
Evento ou campeonato?
Mais do que um campeonato, o Sertões Kitesurf se define como um grande evento esportivo, com foco em visibilidade e experiência. No entanto, o contraste entre a estrutura e a valorização dos protagonistas — os atletas — levanta um debate importante sobre a essência do esporte competitivo no Brasil.
A crítica de Alex Neto traz à tona um questionamento recorrente: até quando o espetáculo e a imagem serão priorizados em detrimento do mérito e da dignidade dos competidores?
Atletas que treinam o ano inteiro, que investem tempo e recursos próprios, esperam ao menos um reconhecimento proporcional ao esforço depositado.
O eco de uma indignação coletiva
O desabafo do vice-campeão não é isolado. Outros competidores e fãs do kitesurf manifestaram apoio ao atleta nas redes sociais, reforçando a necessidade de transparência, respeito e valorização dentro dos eventos esportivos nacionais.
O sentimento é claro: o esporte cresce, o público vibra, mas os bastidores ainda precisam evoluir.
Alex encerrou sua fala com um tom de esperança e luta:
“É difícil ficar calado, mas irei sempre lutar pelos nossos direitos. Ser atleta profissional não é fácil, mas somos fortes para ultrapassar obstáculos — inclusive os que não estão na água.”
Reflexão final
O Sertões Kitesurf segue sendo um dos maiores encontros do esporte no país, mas as críticas acendem um alerta: um evento de alto nível não se sustenta apenas com vento e emoção — é preciso respeito e reconhecimento.
Enquanto o espetáculo encanta, os bastidores clamam por mudanças.









100% de acordo! Parece que o espetáculo é mais importante que os atletas! Inclusive na hora da premiação ninguém sabe ao certo quem ganhou o que! Deixando nenhuma margem para contestação. Aí os atletas sobem no pódio recebem uma “lembrança “ de participação e só depois tem a possibilidade de contestar o resultado, tornando o momento que deveria ser de orgulho e felicidade constrangedor! Especialmente quando se sabe que o resultado ditado está errado, mas simplesmente não foi dava oportunidade de contestar para poder retificar.
Totalmente favorável, indignada , não sabia que o troféu seria só isso. Lamentável mesmo.
Outra coisa absurda foi a chegada ser obrigatória na areia. Muitos atletas sofreram quedas que poderiam terem sido evitadas se o cruzamento fosse no mar e pronto. Desnecessário. Que a organização repense isso para o próximo ano.