Como 3 caras com zero mapas criaram o Waze — e fizeram o Google pagar US$ 1,3 bilhão
Você abre o Waze, espera 3 segundos e pronto: rota ideal, tempo estimado, ruas a evitar.
Mas quase ninguém sabe como esse app foi criado — e quando você descobre, entende por que o Google pagou US$ 1,3 bilhão por ele.
2007: A ideia insana
Três israelenses — Uri Levine, Ehud Shabtai e Amir Shinar — tiveram uma tese simples e radical:
“O motorista à sua frente sabe algo que você precisa saber.”
Só tinha um detalhe:
▪️ Eles não tinham nenhum mapa.
▪️ Google Maps já existia.
▪️ TomTom dominava o mercado.
▪️ GPS era commodity.
E, mesmo assim, decidiram criar o melhor GPS do mundo.
Zero experiência com mapas. Zero cartógrafos. Zero dados.
Só uma ideia: crowdsourcing.
O mapa que começou em branco
Quando o Waze foi lançado, você abria o app e via uma tela totalmente branca.
Sem ruas. Sem nomes. Sem instruções.
E como isso ia funcionar?
Simples: os usuários iriam criar o mapa.
O algoritmo que aprendia dirigindo
O Waze funcionava assim:
- Se 10 pessoas passavam por uma via → ele marcava como rua.
- Se 100 viravam à direita e ninguém à esquerda → conversão proibida.
- Se alguém diminuía → trânsito.
- Se alguém reportava → radar, acidente, bloqueio.
Quanto mais gente usava, mais inteligente o mapa ficava.
Mas no começo ninguém usava.
A solução maluca
A equipe começou a desenhar o mapa na mão, só pra deixá-lo “bom o suficiente” para atrair usuários.
Uri Levine dizia:
“Bom o suficiente e ainda grátis? Imbatível.”
Enquanto TomTom cobrava caro e o Google Maps era estático, o Waze mostrava:
- Trânsito em tempo real
- Rota mais rápida
- Alertas de usuários
- 100% gratuito
Não precisava ser perfeito.
Precisava ser útil.
6 meses para mapear uma cidade inteira
Janeiro: mapa vazio.
Junho: mapa completo.
Sem pagar ninguém.
Sem equipe de campo.
Uma tecnologia infinitamente escalável.
Google não resistiu
O Waze chegou a 150 milhões de usuários gerando dados em tempo real.
Um modelo impossível de replicar do zero.
O Google abriu a carteira:
US$ 1,3 bilhão.
E hoje… você trabalha para o Waze (de graça 😂)
Toda vez que você abre o app:
- atualiza o mapa
- confirma alertas
- envia dados de trânsito
Você é praticamente um estagiário voluntário do Waze.
Mas a troca é boa:
- tempo economizado
- rotas melhores
- menos congestionamento
- radar avisado
Ganha todo mundo.
O aprendizado final
O Waze prova uma coisa:
Você não precisa criar tudo sozinho.
Precisa ouvir seus usuários.
- A Wikipedia não escreve artigos.
- O YouTube não grava vídeos.
- O Airbnb não tem imóveis.
- O Waze não mapeia ruas.
As pessoas fazem isso.
E esse é o tipo de produto que vence.









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