Morte de felino de 100 kg reforça alerta sobre a rodovia ser ponto crítico de acidentes, ameaçando fauna de biomas estratégicos como Amazônia e Cerrado
Uma onça-pintada adulta, com cerca de 100 quilos, morreu após ser atropelada na madrugada de segunda-feira (27), na BR-163, em Lucas do Rio Verde, a 360 km de Cuiabá. Segundo o Corpo de Bombeiros, o animal atravessou a pista de forma repentina e foi atingido por um veículo. O impacto causou traumatismo craniano, e a onça morreu ainda no local.
Equipes do Corpo de Bombeiros e do Centro de Apoio e Assistência ao Salvamento de Animais Silvestres (CAAS) estiveram no local e realizaram os procedimentos cabíveis. O corpo do animal foi encaminhado à Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), e a Polícia Ambiental deve definir o destino.
A BR-163 destaca-se como um corredor logístico essencial para o agronegócio, ligando o Centro-Oeste aos portos do Norte. A rodovia, que passou por extenso processo de pavimentação e está em fase de duplicação, enfrenta desafios ambientais significativos. O aumento do tráfego e a fragmentação dos habitats naturais ao longo do trajeto têm levado à elevação do número de acidentes envolvendo animais silvestres.
Essa rodovia apresenta um histórico recorrente de atropelamentos, tornando-se um ponto de atenção para órgãos ambientais. Espécies frequentemente atingidas incluem a anta (com destaque para o Pará, onde a BR-163 registra uma das maiores concentrações de atropelamento deste animal), o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, a jaguatirica e a própria onça-pintada. Os atropelamentos estão, de modo geral, entre as principais causas de morte de fauna silvestre no país.
O problema se agrava em períodos de chuvas, quando áreas naturais ficam alagadas e os animais se aproximam das estradas em busca de alimento ou abrigo. A situação é crítica: somente entre janeiro de 2022 e fevereiro de 2023, 17 onças-pintadas foram vítimas fatais em ocorrências desse tipo. Na BR-163, que corta biomas estratégicos como a Amazônia e o Cerrado, a população da onça-pintada sofre com a destruição de habitats, restando menos de mil indivíduos e registrando uma redução estimada em 25% nos últimos 25 anos.
Considerada o maior felino das Américas e predador de topo, a onça-pintada (Panthera onca) é essencial para o equilíbrio dos ecossistemas, controlando outros animais e mantendo a diversidade biológica. Sua redução ou extinção é um indicador de problemas ambientais mais amplos, como desmatamento e caça ilegal. Entidades ambientais reforçam a necessidade de implantação de passagens de fauna, cercas de proteção e sinalização nos trechos mais críticos da BR-163.









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