Lançamento de livro em Campo Grande usa a literatura para provocar reflexão sobre machismo e transformação social
Na Casa de Cultura, leitores, estudantes e profissionais das artes se reuniram para o lançamento do livro Os Olhos de Capitu, obra do escritor sul-mato-grossense Flávio Adriano Nantes, que propõe uma leitura sensível e impactante sobre a experiência feminina em uma sociedade marcada pela violência de gênero.
O evento foi mais que uma celebração literária: foi um espaço de escuta e diálogo sobre a cultura e o papel ativo que a literatura pode assumir na construção de uma sociedade mais justa e empática. A obra nasce de um ponto de vista feminino, ainda que escrita por um autor homem — escolha consciente e potente, como explicou Flávio.
“Eu cresci cercado por mulheres e testemunhei, desde cedo, as dores que elas carregavam: assédios, silenciamentos, agressões. Eu não sou mulher, mas a minha vivência está profundamente atravessada por essas histórias. Escrever sobre isso é também escrever sobre mim e sobre o mundo em que vivi e ainda vivo”, destacou.
A estrutura do livro reflete essa escuta: a maioria das personagens e narradoras são mulheres. O autor acredita que a literatura pode e deve ser um instrumento de denúncia, empatia e transformação. “Homens também precisam se responsabilizar por essa conversa. A omissão é parte do problema. A literatura pode abrir os olhos — e esse livro é um convite para que abramos os nossos.”
Durante o evento, a psicóloga Raísa de Bacarji Jardim falou sobre o poder transformador da leitura. Segundo ela, o ato de ler ainda é revolucionário. “A leitura exige tempo, entrega, e coloca o leitor como agente ativo. É nesse mergulho que a transformação acontece, no tempo que a literatura nos obriga a parar e refletir.”
Com um título que homenageia uma das personagens mais emblemáticas da literatura brasileira, Os Olhos de Capitu também propõe um resgate do olhar feminino como eixo central das narrativas, apontando caminhos para o futuro.
O lançamento reforça a importância da literatura enquanto ferramenta cultural, social e emocional — capaz de provocar mudanças não só na forma como vemos o mundo, mas também na forma como decidimos agir dentro dele.









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