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Páscoa mais cara: especialista prevê ovos menores e chocolate com qualidade inferior em 2026

por | mar 10, 2026 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Com a aproximação da Páscoa, o varejo brasileiro começa a se preparar para um dos períodos mais importantes do calendário de consumo. A data movimenta a economia meses antes de chegar às prateleiras e envolve desde grandes indústrias até pequenos produtores e agricultores familiares. No entanto, neste ano, o consumidor deve enfrentar um cenário diferente: preços mais altos e produtos menores.

O alerta é do especialista em cacau e chocolate Marco Lessa, fundador do Brasil Origem Week e do Chocolat Festival, considerado o maior evento de cacau e chocolate das Américas. Segundo ele, a chamada “crise global do cacau” tem pressionado toda a cadeia produtiva e impactará diretamente o preço do chocolate nas lojas.

De acordo com Lessa, a Páscoa começa a ser planejada quase um ano antes pelas empresas do setor, que desenvolvem formulações, criam embalagens e definem estratégias comerciais. Para além da indústria, o período também movimenta microempreendedores, pequenos produtores e agricultores familiares que produzem ovos, bombons e tabletes artesanais.

“A Páscoa é o principal período de consumo de chocolate no ano, seguido do Natal. É uma data fundamental para empresas de todos os tamanhos e para milhares de pequenos produtores”, explica.

Crise global do cacau pressiona preços

O principal motivo da alta nos preços está no mercado internacional. O cacau é uma commodity e sofre forte influência de fatores externos, especialmente climáticos. Os maiores produtores do mundo estão na África, região que enfrentou problemas climáticos recentes, queda na produtividade e lavouras envelhecidas.

Essa combinação reduziu a oferta global e fez o preço do cacau disparar no mercado internacional. Segundo Lessa, a tonelada da commodity, que durante anos ficou entre 2.500 e 3.000 dólares, chegou a atingir cerca de 12 mil dólares em determinados momentos do ano passado.

No Brasil, o cenário é ainda mais complexo. Apesar de ser produtor, o país não produz cacau suficiente para abastecer a própria indústria. Como consequência, o setor precisa importar parte da matéria-prima, o que aumenta ainda mais os custos.

Consumidor deve comprar menos e optar por ovos menores

Na prática, o consumidor deve sentir o impacto diretamente nas prateleiras. Lessa prevê uma Páscoa com ovos menores e mudanças no comportamento de compra.

Segundo ele, a tendência é que consumidores migrem para produtos mais baratos ou reduzam o tamanho das compras.

“O ovo de 1 kg vai virar 500 gramas. O de 500 gramas pode virar 300 gramas. As empresas vão buscar alternativas para equilibrar preço e consumo, com ovos menores, produtos recheados e novas combinações de ingredientes”, afirma.

Outra característica do mercado brasileiro é o peso do marketing na composição do preço final. Em muitos casos, brinquedos e embalagens temáticas acabam elevando o custo mais do que o próprio chocolate.

Desafio para produtores e qualidade do chocolate

Apesar da alta histórica recente, o especialista alerta que oscilações extremas também representam riscos para produtores. A maioria dos agricultores que produzem cacau no mundo são pequenos produtores e agricultores familiares, que enfrentam custos elevados com mão de obra, insumos e controle de pragas.

Para Lessa, o futuro da cacauicultura depende de planejamento de longo prazo e de maior valorização do chocolate de qualidade, com alto teor de cacau.

Ele também faz um alerta sobre produtos industrializados com baixa qualidade.

“Existe hoje um chocolate com sabor artificial de cacau que é de péssima qualidade e pode fazer mal à saúde. O consumidor precisa entender que o cacau é o protagonista do chocolate”, ressalta.

Chocolate e turismo: o papel do Chocolat Festival

Criado em 2009, na Bahia, o Chocolat Festival se tornou um dos principais eventos do setor na América Latina. O projeto surgiu em um momento de crise da cacauicultura na região de Ilhéus, após o impacto da praga conhecida como vassoura-de-bruxa, que devastou plantações.

O evento reuniu produtores, chefs, especialistas e empresários com o objetivo de valorizar o cacau brasileiro e estimular a produção de chocolates de origem.

Segundo Lessa, o festival ajudou a transformar a cadeia produtiva e a reposicionar o Brasil no cenário internacional do chocolate.

“A nossa missão sempre foi transformar a vida das pessoas envolvidas na cadeia do cacau, principalmente pequenos produtores e agricultores familiares. Queríamos mostrar que o cacau não é coadjuvante. Ele é o protagonista”, conclui.


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