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Passagens de fauna reduzem atropelamentos e ampliam segurança viária em rodovias de Goiás

por | dez 12, 2025 | FAUNA NAS ESTRADAS, NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Obras em Goiás incorporam passagens de fauna e medidas ambientais para reduzir atropelamentos e fortalecer a segurança nas rodovias

Goiás está adotando uma nova abordagem para obras rodoviárias: incorporar soluções que diminuam atropelamentos de animais silvestres e tornem o trânsito mais seguro. A iniciativa ocorre em um contexto nacional preocupante. Estimativas do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE) indicam que aproximadamente 475 milhões de animais morrem por atropelamento todos os anos no Brasil, grande parte composta por pequenos vertebrados.

Para enfrentar o problema, o Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG), em parceria com o Governo de Goiás, passou a integrar elementos de conservação da fauna no planejamento e na execução de obras. Rodovias como a GO-178, GO-180, GO-461 e GO-147 estão recebendo passagens de fauna desenhadas de acordo com as características das espécies que circulam pela região.

Critérios técnicos definem onde e como os animais vão atravessar

A escolha de cada ponto de travessia decorre de levantamentos ambientais e análises sobre o deslocamento da fauna. De acordo com Guilherme Teles, engenheiro ambiental que acompanha os projetos, são mapeados locais de reprodução, rotas usuais e áreas de migração. Com esses dados, é possível selecionar o tipo de estrutura adequado:

  • Passagens aéreas, voltadas a espécies que se deslocam pelo dossel da vegetação.
  • Galerias subterrâneas e rampas secas, destinadas a mamíferos de maior porte.
  • Adequações em drenagens, que garantem circulação de peixes, anfíbios e outros animais aquáticos.

Esse conjunto de obras também restabelece conexões entre áreas naturais separadas pela rodovia, reduzindo o isolamento de populações e contribuindo para a diversidade genética.

Infraestrutura precisa de acompanhamento permanente

A instalação das passagens é apenas uma etapa. Para que funcionem, elas exigem gestão contínua e ações de apoio. Os projetos incluem cercas que orientam a fauna até as travessias, sinalização para redução de velocidade e elementos visuais que afastam animais da pista. Também há previsão de campanhas educativas com moradores da região.

A manutenção é decisiva. Danos em cercas, acúmulo de sedimentos nos túneis ou alterações na vegetação de entorno comprometem a travessia. Segundo Teles, é necessário monitoramento periódico e ajustes sempre que houver risco de perda de efetividade.

A operação envolve profissionais de diversas áreas: veterinários definem protocolos de manejo; biólogos acompanham o uso das passagens e produzem dados de eficiência; engenheiros avaliam condições estruturais e hidráulicas das obras.

Obra sustentável no canteiro e no território

Além das estruturas voltadas à fauna, o IFAG adota medidas ambientais no próprio processo construtivo. Há controle de erosão, manejo de resíduos com rastreabilidade e intervenções para proteger nascentes e cursos d’água. As obras também incluem ações para reduzir ruídos, poeira e emissões, evitando impactos sobre comunidades próximas.

O estado tem avançado na integração das obras locais aos bancos de dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que registra passagens de fauna em todo o país. Experiências como as da GO-118 e GO-239, na Chapada dos Veadeiros, já se tornaram referência. A expansão dessas práticas reforça o entendimento de que segurança viária e conservação ambiental devem caminhar juntas.

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