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Pesquisadores da UnB desenvolvem substância inédita contra o Alzheimer a partir de veneno de vespa

por | dez 22, 2025 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Estudo multidisciplinar utiliza peçonha da vespa social Polybia occidentalis para criar peptídeos terapêuticos que podem impedir a formação da proteína beta-amiloide, associada à doença.

Diretamente da capital do país, a ciência brasileira avança em uma das frentes mais desafiadoras da medicina moderna. Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) estão desenvolvendo uma substância inovadora contra o Alzheimer a partir da peçonha da vespa social Polybia occidentalis. O projeto é apoiado pelo programa FAP-DF Learning 2023 e reúne especialistas das áreas de Física, Farmácia, Nanotecnologia e Neurofarmacologia.

A pesquisa busca criar peptídeos terapêuticos capazes de impedir a formação da proteína beta-amiloide, uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento do Alzheimer. Segundo a coordenadora do estudo, Luana Cristina Camargo, do Instituto de Psicologia da UnB, os resultados iniciais são promissores.

“A octo vespina, extraída da peçonha, foi modificada para se assemelhar estruturalmente à beta-amiloide e apresentou melhora significativa nos déficits cognitivos em modelos animais”, explica a pesquisadora.

Além da eficácia, o grupo também investiga formas seguras e viáveis de aplicação da substância em humanos. Entre as alternativas estudadas, a via intranasal desponta como uma das mais promissoras.

“A aplicação direta no cérebro pode levar à degradação do composto. Por isso, buscamos rotas mais seguras, com apoio da bioinformática para simulações e ajustes moleculares”, detalha Luana.

Apesar dos avanços científicos, o projeto enfrenta desafios estruturais e financeiros, como a falta de equipamentos especializados, necessidade de simulações computacionais avançadas e aquisição de compostos químicos. Nesse cenário, o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF) tem sido fundamental para a continuidade e o amadurecimento da pesquisa.

Os próximos passos incluem a transição para testes em humanos, além do cumprimento das exigências regulatórias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Paralelamente ao avanço científico, especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce. O neurologista Lucas Cruz, do Hospital Anchieta, ressalta que sintomas iniciais do Alzheimer costumam ser confundidos com o envelhecimento natural.

“Perda de memória progressiva, desorientação e dificuldade para realizar tarefas rotineiras não devem ser ignoradas. O diagnóstico precoce amplia as possibilidades de tratamento e melhora a qualidade de vida do paciente”, afirma.

Atualmente, o enfrentamento da doença envolve o uso de medicamentos anticolinesterásicos, além de acompanhamento psicológico, fisioterapia e suporte familiar, considerados pilares essenciais no cuidado ao paciente.

Fonte: Correio Braziliense
Imagem: Reprodução – UnB / Unsplash

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