O desembargador federal Macário Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), foi conduzido na manhã desta terça-feira (data a ser confirmada) à sede da Polícia Federal, no Centro do Rio de Janeiro, no âmbito da Operação Unha e Carne 2, deflagrada nas primeiras horas do dia. A ação investiga o vazamento de informações sigilosas para favorecer integrantes da facção criminosa Comando Vermelho.
Segundo apurado, o magistrado chegou ao local por volta das 8h, transportado em uma viatura descaracterizada. Ele vestia camisa social azul-marinho com pequenas bolinhas brancas e foi levado para prestar depoimento após a PF cumprir mandado de prisão expedido contra ele.
Alvo central da nova fase da investigação
Macário Júdice Neto é apontado pela Polícia Federal como o principal alvo da segunda fase da Operação Unha e Carne, considerada um desdobramento direto da primeira etapa da investigação. A fase inicial resultou na prisão do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, e revelou uma complexa rede de corrupção e favorecimento ao crime organizado.
De acordo com os investigadores, o desembargador teria utilizado sua posição no Judiciário para acessar e repassar informações judiciais sensíveis, com o objetivo de beneficiar membros da facção criminosa.
Ligação com processo envolvendo integrante do Comando Vermelho
Macário Júdice Neto é o relator do processo que envolve o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias, atualmente preso por ligação direta com o Comando Vermelho. A atuação do magistrado nesse caso específico passou a ser analisada com maior rigor após o avanço das investigações.
Conforme revelou a coluna do jornalista Lauro Jardim, há indícios de que o desembargador teria agido de forma deliberada para favorecer o grupo criminoso, valendo-se de seu acesso privilegiado a decisões e informações sigilosas do Judiciário.
Operação Unha e Carne 2
A Operação Unha e Carne 2 tem como foco o combate à corrupção institucionalizada, especialmente em núcleos estratégicos do poder público, que estariam sendo utilizados para blindar lideranças criminosas, interferir em decisões judiciais e comprometer investigações sensíveis.
A Polícia Federal informou que novas diligências não estão descartadas e que o material apreendido será analisado para aprofundar a identificação de possíveis outros envolvidos, incluindo servidores públicos e agentes políticos.
Até o momento, o TRF-2 ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.









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