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Quase 1 milhão de chopes em 2024: quem é o cearense por trás do império da boemia carioca

por | dez 13, 2025 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Do sertão ao império da boemia: como Antônio Rodrigues transformou o Belmonte em uma potência carioca

Em 2024, quase 1 milhão de chopes foram servidos nas torneiras do Belmonte, um dos bares mais movimentados do Rio de Janeiro. O número impressiona — especialmente quando se conhece a trajetória de Antônio Rodrigues, o empresário que saiu do interior do Ceará sem recursos e acabou se tornando um dos maiores nomes da gastronomia de botequim do país.

A história começa em Hidrolândia, quando Antônio, aos 16 anos, tomou a decisão que mudaria sua vida. Vendeu uma única ovelha, o bem mais valioso que possuía, para financiar a viagem ao Rio. Na capital fluminense, encarou uma rotina marcada por moradia precária e longas jornadas em subempregos: foi faxineiro, ajudante de cozinha e garçom. Paralelamente, observava, testava, aprendia. Cada balcão, cada chapa, cada bandeja carregada era também uma aula sobre o funcionamento dos bares cariocas.

Com economias modestas, abriu seu primeiro negócio: o Carlitos, um bar simples onde pôde experimentar receitas, ajustar processos e identificar padrões de comportamento do público. Foi ali que percebeu algo fundamental: o botequim clássico continuava sendo um ativo valioso no imaginário e no dia a dia do carioca.

A virada decisiva viria em 2001, quando Antônio comprou o Belmonte original, fundado em 1952. A reforma preservou a identidade histórica do espaço, mas introduziu um rigor até então raro no segmento: chope bem tirado, petiscos padronizados e atendimento afiado. A resposta foi imediata — público fiel, casa cheia e um modelo replicável. O Belmonte se expandiu e virou referência.

Com o crescimento, o empresário adotou uma nova frente: resgatar casas tradicionais da cidade. Assim, passaram a integrar seu grupo estabelecimentos icônicos como Nova Capela, Amarelinho, Cervantes, Mosteiro, Azumi e o Bar Luiz. A missão era clara: preservar a memória gastronômica do Rio enquanto modernizava a operação e ampliava a capacidade de atendimento.

O impacto econômico acompanhou a expansão. Com 1.300 funcionários registrados em 2024, o grupo se tornou um dos principais empregadores do setor na cidade, aquecendo cadeias produtivas de cozinha, atendimento, logística e manutenção.

Mais recentemente, Antônio deu início a um movimento ainda mais ambicioso ao assumir o histórico Edifício Touring, na Praça Mauá. O local deve se transformar em um polo gastronômico e cultural, ampliando a presença do grupo e contribuindo para a recuperação urbana da região portuária.

Da venda de uma ovelha à liderança de um dos maiores conglomerados de bares do Rio, a trajetória de Antônio Rodrigues é mais do que um caso de sucesso empresarial — é um capítulo vivo da relação afetiva entre o carioca e seus bares, espaços que atravessam gerações e mantêm acesa a chama da sociabilidade urbana.

Fonte: Veja Rio

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